Stake: App ajuda brasileiros a investir em NY sem burocracia

Corretora oferecerá corretagem zero para número ilimitado de operações (Stake/Reprodução)

Fundada em 2017 na Austrália com o objetivo de dar acesso ao mercado de ações dos Estados Unidos para investidores, a plataforma Stake chega ao Brasil. Os investidores terão acesso à mais de 3,8 mil ações e ETFs listadas na bolsa americana, sem taxa de corretagem para operações ilimitadas.

A Stake já tem 150 mil clientes na Nova Zelândia, Reino Unido e em seu país de origem e é concorrente direta da Avenue, corretora também com foco em investimento em ações diretamente no exterior fundada por Roberto Lee.

O modelo de ambas é o mesmo: basta que o investidor se cadastre online e transfira valores em reais para começar a aplicar lá fora. A Stake gerencia a remessa ao exterior. Para isso, há um spread cambial cobrado por um parceiro, de 2%, no depósito e na retirada. Os rendimentos podem ser reaplicados em dólar na carteira sem custo. O investidor não precisa converter os valores em reais se reinvestir em dólares novamente. O site é em português, assim como o suporte ao cliente.

Paulo Kulikovsky, diretor de operações para América Latina na Stake que tem experiência em startups de tecnologia, explica que as conversas com a CVM para viabilizar a operação no país começaram em 2018. O lançamento da plataforma era para, na verdade, ter ocorrido em fevereiro de 2019. Mas a corretora decidiu ser mais cautelosa em relação à regulação e adiar a estreia no mercado. “Não vemos problema de ter chegado com atraso. O mercado tem espaço para mais uma opção nos segmento. Dos 3 milhões de CPFs cadastrados na bolsa de valores, a estimativa é de que nem 10% opere na bolsa americana.”

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A Avenue realizou uma parceria com a Vitreo para poder divulgar aos brasileiros o seu serviço, já que a plataforma é sediada nos Estados Unidos. Também por questões regulatórias, a Stake decidiu pelo mesmo arranjo: para divulgar e prospectar clientes no país, buscou uma parceria com a corretora Ativa. O capital para iniciar a operação foi viabilizado pela operação da empresa em seu país sede.

Mas a ideia, diferente da concorrente, que tem pacotes de corretagem pagos conforme a quantidade de operações realizadas, é seguir o modelo da americana RobinHood. “A ideia é ter uma mensalidade de 9 dólares, por exemplo, e continuar sem cobrar corretagem para operações limitadas, mas dar benefícios e facilidades aos clientes, como operar com margem (alavancado) e opções”. A nova corretora também aposta na usabilidade do seu app.

Além de chegar com atraso em relação à concorrente, a Stake é lançada no país em um momento no qual os BDRs se tornam mais acessíveis para pequenos investidores. Kulikovsky concorda que é um substituto à compra direta de ações lá fora, mas argumenta que para o investidor que realiza mais operações, tem um portfólio maior e busca maior liquidez, o investimento direto ainda será atrativo.

O processo de análise tanto do modelo de negócios da Stake quanto da Avenue ainda não foi encerrado na CVM. Ambas começaram a operar com base no parecer de orientação número 33 da autarquia, emitido em 2005. No dia 22 de outubro de 2019 a Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários (SMI) consultou o colegiado da CVM sobre ambos os processos, e o colegiado pediu novas diligências. No momento, a SMI está ouvindo agentes do mercado sobre o assunto e, em breve, deve voltar com o tema ao colegiado.

 

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