PLATAFORMA P 52 NA BACIA DE CAMPOSFOTO: GERMANO LUDERS27/05/2010

Petrobras: estatal informou que encontrou sinais da presença de petróleo em um poço exploratório numa área de águas ultraprofundas no pré-sal, no sul da Bacia de Campos (Germano Lüders/Exame)

Há 43 anos em atividade, a Bacia de Campos, no litoral fluminense, tem sido marcada ultimamemente pelo declínio na produção de petróleo enquanto aumenta o protagonismo dos campos do pré-sal na Bacia de Santos.

No entanto, uma descoberta anunciada pela Petrobras nesta quarta-feira mostra que ainda há chances de aumento da produção na região.

A estatal informou que encontrou sinais da presença de petróleo em um poço exploratório numa área de águas ultraprofundas no pré-sal, no sul da Bacia de Campos.

A descoberta foi feita no bloco C-M-657, arrematado em leilão da 15ª rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em 2018. O poço foi chamado de Naru.

O poço está localizado a aproximadamente 308 quilômetros da costa da capital fluminense, a uma profundidade de 2.892 metros da lâmina d’água ao solo submarino.

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A descoberta foi feita apenas dois anos depois de o bloco ter sido arrematado em leilão pelo consórcio formado pela Petrobras (30%), que é a operadora, pela americana ExxonMobill (40%) e pela norueguesa Equinor (30%), sob regime de concessão.

Além do resultado positivo em pouco tempo de exploração, o achado foi o primeiro numa região onde até agora os poços perfurados se mostraram secos.

Segundo a Petrobras, os dados coletados no poço serão analisados para melhor avaliar o potencial e direcionar as atividades exploratórias na área.

— O Rio de Janeiro tem nos dado muitas alegrias, como o anúncio de hoje de manhã da descoberta de Naru, em águas ultraprofundas no pré-sal na Bacia de Campos. Ainda estamos avaliando o seu potencial, mas é uma perspectiva positiva — afirmou o diretor de Relacionamento Institucional da Petrobras, Roberto Ardenghy, durante um evento on-line da Federação das indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) sobre a 5ª edição do Anuário de Petróleo no Rio.

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Evidência de óleo fora de área especial

O anúncio feito pela Petrobras foi considerado muito importante pelo geólogo Pedro Zalán, da Zag Consultoria em Exploração de Petróleo, porque é uma evidência da existência de reservas de petróleo em uma região fora do chamado polígono do pré-sal.

Trata-se da área especial entre o Espírito Santo e São Paulo onde vigora o regime de partilha do óleo entre as petroleiras e a União por causa da alta produtividade.

O campo onde foi feita a descoberta, no sul da Bacia de Campos, fica fora do polígono, com exploração sob o modelo de concessão: as petroleiras pagaram pelo direito de explorar e embolsam todo o lucro da produção mediante o pagamento de impostos e royalties.

Segundo Zalán, a descoberta reforça o potencial de existência de petróleo no pré-sal em áreas que ficam a leste do polígono, perto do limite com a Bacia de Santos.

A Shell perfurou dois poços que se mostraram secos próximo da região da descoberta, sendo que um deles, chamado Saturno, representou uma grande frustração para os geólogos.

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— Essa descoberta na mesma região de ultra-fronteira volta a levantar os ânimos que estavam baixos com os poços secos até então — afirmou Zalán.

Segundo o especialista, além do bloco com o poço descobridor, vários outros blocos na mesma região foram licitados na 15ª rodada e na 16ª rodada de licitações da ANP, sem terem tido sucesso ainda na tarefa de encontrar petróleo.

A Bacia de Campos se estende desde a altura da cidade de Vitória, no Espírito Santo, até Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Estado do Rio de Janeiro. O primeiro campo foi descoberto em1974, com produção iniciada em 1977.

A partir do trabalho realizado na Bacia de Campos, a Petrobras desenvolveu tecnologias para produção em águas cada vez mais profundas, o que levou a estatal à descoberta dos reservatórios da camada pré-sal, confirmada em 2006.

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Campos ficará com 22% dos investimentos

Com a produção em declínio, a Bacia de Campos deve receber cerca de 22% dos investimentos de US$ 40 bilhões a U$ 50 bilhões que a Petrobras pretende fazer entre 2021 e 2025, disse nesta quarta-feira o diretor da Petrobras Roberto Ardenghy no evento da Firjan.

Mesmo com o foco no pré-sal como principal estratégia, a empresa planeja revitalizar a produção nos campos do pós-sal dessa região do Norte Fluminense. O aumento da produção na região favorece a arrecadação de impostos e royalties no Estado do Rio e a geração de empregos.

– É um valor importante (o dos investimentos), nós ainda acreditamos que temos muito petróleo e gás a ser produzido nessa região . E apesar de termos o foco no pré-sal, o pós-sal ainda é importante – destacou o executivo.

De acordo com Roberto Ardenghy, entre os vários projetos da Bacia de Campos que vão contar com mais investimentos para aumento da produção estão os campos de Marlim Sul, Marlim, Roncador e Tartaruga Verde

No último dia 15 a Petrobras anunciou redução dos investimentos em exploração e produção, que ficarão entre os US$ 40 bilhões a US$ 50 bilhões, contra os US$ 64 bilhões previstos no Plano anterior de 2020/24. Segundo o diretor, em breve a Petrobras divulgará seu novo plano de negócios para o peródo de 2021/15.

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