André Brandão assumirá presidência BB

Brandão assume o cargo com o desafio de preparar o BB para a transformação digital (Divulgação/Divulgação)

Depois de um processo de transição de quase dois meses, o novo presidente do Banco do Brasil, André Brandão , assume o comando da instituição na manhã desta terça-feira. Ele ocupará a vaga de Rubem Novaes em evento fechado no gabinete do presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto.

Por causa da pandemia, não haverá convidados nem discurso, segundo uma fonte a par da organização. O ministro da Economia, Paulo Guedes, é um dos poucos do gabinete a participarem do evento.

Brandão assume o cargo com o desafio de preparar o BB para a transformação digital e enfrentar a concorrência tanto de fintechs como das big techs, como Google e Facebook.

Perguntado sobre a privatização do banco, ele tem respondido internamente que essa decisão não será dele, mas do acionista controlador. Bolsonaro já afirmou, diversas vezes, que não pretende vender o banco.

O novo presidente esteve na sede do BB na segunda-feira à tarde, onde teve várias agendas, além de conhecer pessoalmente a cúpula da instituição. Ele foi apresentado aos vice-presidentes durante a reunião de diretoria, a última conduzida por Novaes. Brandão veio de São Paulo e foi sua primeira visita às instalações do banco.

Novaes entregou a carta de demissão a Paulo Guedes no fim de julho, alegando cansaço com a rotina em Brasília e desejo de voltar a morar no Rio para ficar mais próximo dos netos. Ele tentou fazer seu sucessor, sugerindo nomes do próprio BB, mas Guedes optou por trazer um executivo de fora.

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Segundo interlocutores, Brandão já deixou claro que é avesso a entrevistas e que prefere manter a mesma postura discreta que tinha no comando da área Internacional do HSBC — cargo que deixou para assumir o BB. Ele teria ficado assustado com o interesse da imprensa no banco, contou uma fonte.

Já Novaes costumava dar declarações polêmicas. Ele fez críticas ao isolamento social e comprou briga com o Tribunal de Contas da União (TCU), que proibiu o banco de anunciar em sites ligados à disseminação de fake news. Ele classificou o TCU de “usina do terror”.

A primeira impressão deixada por Brandão agradou aos funcionários do banco. Ele teria mostrado que gosta de ouvir e quer manter o diálogo. O oposto de Novaes, que, segundo uma fonte, usava elevador privativo e só se relacionava com a cúpula do banco.

Brandão teria dito que, a princípio, quer conhecer a atual equipe, para só depois fazer eventuais substituições.

O novo presidente do BB deve manter a estratégia, adotada ainda no governo Michel Temer, de alinhar o banco aos resultados do setor privado. O BB é o segundo banco do país, atrás do Itaú Unibanco, e passou por um processo de enxugamento nos últimos anos, com corte de despesas administrativas e planos de demissão voluntária.

As linhas de crédito foram focalizadas em operações com garantias, como capital de giro e consignado, com menor exposição a empréstimos governamentais. Brandão também deve seguir com ações de desinvestimento.

Novaes deverá continuar na equipe de Guedes, mas como assessor especial.

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