Pronunciamento Bolsonaro

Pronunciamento Bolsonaro (TV Brasil/Reprodução)

A Assembleia Geral da ONU deste ano será histórica por muitos motivos. Além dos 75 anos da organização que se completam neste 2020, será a primeira vez que a assembleia será virtual, em virtude da pandemia do novo coronavírus. No Brasil, que como todos os anos abre a etapa de discursos dos países nesta terça-feira, 22, os olhos estarão voltados para o discurso do presidente Jair Bolsonaro.

A fala do presidente brasileiro vem em um momento de pressão internacional para o Brasil. As imagens de queimadas no Pantanal, que já destruíram 20% do bioma, e na Amazônia, estão rodando o mundo.

Bolsonaro e seus principais auxiliares vêm dizendo que as críticas internacionais são devido a interesses comerciais na disputa com o agronegócio brasileiro. O discurso de hoje deve trazer essa percepção. O presidente deve destacar que a preservação ambiental tem que seguir junto com o desenvolvimento econômico, que o Brasil sofre uma perseguição estrangeira e que alimenta o mundo — e conseguiu fazê-lo mesmo durante a pandemia que aumentou a demanda global por alimentos.

O presidente também deve defender que fez uma boa gestão de saúde durante a pandemia do novo coronavírus. O Brasil tem mais de 137.000 mortos pela covid-19 e vem tendo mais de 700 mortes por dia na média móvel.

A fala de Bolsonaro, como o resto da Assembleia, será virtual. O discurso já foi gravado na semana passada. O discurso deve se mostrar mais ameno do que no ano passado. Em 2019, estreia do presidente no papel diplomático brasileiro de abrir a Assembleia, Bolsonaro fez um discurso considerado agressivo por críticos e assertivo por aliados. Disse que sua eleição iria salvar o Brasil do socialismo e, em meio ao desmatamento na Amazônia, criticou o cacique Raoni, um dos líderes indígenas, no que foi considerado uma quebra de protocolo.

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Desta vez, segundo fontes ouvidas por Estado de S.Paulo e UOL, Bolsonaro foi ajudado no discurso que apresentará hoje sobretudo pelo general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), e pelo assessor de assuntos internacionais Filipe Martins, da “ala olavista” ligada ao astrólogo Olavo de Carvalho. Os dois são alguns dos principais defensores da tese de que as críticas ambientais são para minar os negócios brasileiros. Ontem, o general Heleno afirmou que críticas “estrangeiras” visam “prejudicar o Brasil e derrubar o governo Bolsonaro”.

Neste mês, o governo recebeu uma carta de oito países europeus pedindo medidas mais rígidas na política ambiental. Mais de 200 ONGs e empresas brasileiras, incluindo nomes como JBS e Marfrig, também enviaram carta aos principais líderes do governo. Os europeus também ameaçam barrar o acordo do Mercosul com a União Europeia fechado no ano passado — mas que pouco andou desde então. O temor é de que a imagem ruim do Brasil prejudique negócios internacionais das empresas.

O vice-presidente Hamilton Mourão tentou há alguns meses assumir uma política conciliadora e se colocar como porta-voz ambiental do governo, e já se reuniu algumas vezes com investidores internacionais e empresários brasileiros para acalmá-los quanto à política do governo. Mas também entrou agora para o time que vem minimizando as queimadas.

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Enquanto isso, o palco da ONU também trará os outros conflitos geopolíticos que tomam conta do mundo, da guerra comercial de Estados Unidos com a China, as guerras no Oriente Médio, os desafios da democracia na era digital e o aumento da fome e da desigualdade social e, claro, a pandemia e seus efeitos nas nações do globo.

A ONU foi criada após a Segunda Guerra Mundial (1939-45) para tentar evitar um novo conflito global entre as nações. A organização e outros braços multilaterais, como a Organização Mundial da Saúde, em foco durante a pandemia, vêm tendo dificuldades para evitar os conflitos e coordenar ações entre os países. Críticos apontam que a ONU também não vem sendo capaz de solucionar os problemas desse século, como os embates no mundo digital. O Conselho de Segurança, formado por apenas cinco países e onde acontecem as principais decisões, também é criticado. Mas passa pelos próximos dias de reunião entre os líderes globais começar a resolver alguns dos problemas nunca antes vistos em 2020.

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