Pessoa deficiência pcd

Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (PCD), celebrado em 21 de setembro: há pouquíssimos PCDs em cargos de liderança e muitos na base das empresas (i_gallagher via Photopin/Divulgação)

Quase sete em dez empresas brasileiras possuem alguma política de contratação de profissionais com algum tipo de deficiência – chamados de PCDs. Divulgada nesta segunda-feira, 21, o dia nacional de luta da pessoa com deficiência, a pesquisa realizada pela consultoria de recursos humanos Talenses Group mostra, contudo, uma presença desigual desse tipo de profissional no ambiente corporativo.

Em suma: há pouquíssimos PCDs em cargos de liderança nas empresas. De acordo com dados coletados com 104 executivos de recursos humanos em grandes empresas brasileiras, de todas as regiões, 84% afirmaram ter mão de obra PCD em cargos de assistentes e 63% em cargos de analistas.

Apenas 37% relataram ter pessoas com deficiência em cargos de coordenação, considerados de gerência média. Só 5% dos entrevistados relatou ter diretores nesta condição. A fatia de presidentes ou vice-presidentes PCDs foi inferior a 1%.

Para Rodrigo Vianna, presidente da Mappit, empresa do Talenses Group especializada em recrutamento para início de carreira, a presença de PCDs em coordenação surpreendeu positivamente. “Somos procurados com frequência para conduzir projetos PCDs com foco em posições de base e o nosso grande desafio é ir na contramão e trabalhar posições em cargos sêniores e de gestão, onde está a principal escassez de profissionais disponíveis no mercado”, diz.

Nos motivos alegados pelas empresas com programas de inclusão de mão de obra com deficiência está, em primeiro lugar, a intenção de seguir à risca a Lei de Cotas, legislação federal de 1991 sobre o tema. Segundo a lei, empresas com mais de 100 funcionários devem ter ao menos 2% do quadro formado por PCDs. Em empresas com mais de 1.000 funcionários, ao menos 5% deles devem ter essa condição.

“Na prática, o que vemos é que diversas empresas possuem uma grande dificuldade na contratação de PCDs, sendo que a principal delas é encontrar PCDs qualificados no mercado de trabalho”, diz Daniela Yuassa, advogada trabalhista do Stocche Forbes Advogados. “Entretanto, como há forte fiscalização por parte do Secretaria Especial de Previdência e Trabalho (antigo Ministério do Trabalho), bem como com o crescente número de empresas e ONGs que tem como objetivo fornecer mão-de-obra PCD qualificada, o que se vê hoje é um atendimento maior ao cumprimento da cota pelas empresas.”

Entre os maiores desafios para a inclusão de PCDs nas empresas são, de acordo com a pesquisa, a falta de capacitação de profissionais (65% do total de entrevistados), adaptação da estrutura da empresa para receber PCDs (40%), maior lentidão no processo seletivo de PCDs em relação ao processo seletivo de candidatos (as) em geral (38%), falta de apoio da liderança à causa (30%), adaptação na cultura da empresa para receber PCDs (26%), alto custo no auxílio que esses profissionais necessitam (7%).

Para Leonardo Freitas, presidente da Hayman-Woodward, consultoria especializada em mobilidade global e em carreira, as dificuldades alegadas para inclusão desses profissionais não param em pé. “Atualmente, o ensino e treinamento não requerem quaisquer tipos de diferenciação e dificuldade. É preciso oferecer treinamento a um profissional PCD”, diz Freitas, lembrando que consumidores estão mais atentos às questões sociais ao comprar serviços e produtos.

“Elas não pensam apenas no bem que adquirem, mas também na capacidade de tais empresas estarem em conformidade com aspectos como a biodiversidade, a pluralidade e igualdade de gêneros, raças e credos. Por isso, a importância de um time diverso”, diz.

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