imagem19-09-2020-13-09-57Foto: arquivo Secretaria de Saúde

O Distrito Federal é referência nacional em cobertura vacinal contra a raiva em animais domésticos. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, em 2019, o DF tinha a maior proporção de domicílios do país com animais imunizados.

Parte dos bons resultados, deve-se ao esforço da Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde, a Zoonoses, que vacinou mais de 180 mil cães e gatos em 1 ano e oito meses.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), dos 477 mil domicílios com presença de algum cachorro ou gato no DF, 402 mil tiveram todos esses animais vacinados contra raiva nos 12 meses anteriores à data da entrevista. O percentual de 84,3% de pets vacinados é o maior do país.

Logo abaixo do DF, aparecem Rio de Janeiro e São Paulo com mais de 80% de cobertura vacinal, 83,6% e 81,1% respectivamente. A média brasileira, na área urbana, era de 75,7%, mas o índice chega a 58,7%, 54,2% e 51,5% em Roraima, Rio Grande do Sul e Acre, os últimos colocados da lista.

Em 2019, ano da pesquisa do IBGE, os servidores da Zoonoses vacinaram 167 mil cães e gatos em todo o DF. A maior parte deles, 149 mil, durante a campanha realizada entre agosto e setembro, na área urbana e também na zona rural (veja arte).

Mas, durante o ano todo, as equipes percorrem o DF para vacinar animais contra a raiva, especialmente em assentamentos, comunidades isoladas e locais mais vulneráveis para a circulação do vírus. Nesse trabalho de rotina, chamado de bloqueio vacinal, mais de 18 mil cães e gatos foram imunizados ano passado.

“Uma vez por ano a gente faz a campanha em todo o DF. É um dia festivo, como se fosse um Dia D, mas a prevenção é rotineira”, afirma o gerente da Zoonoses, Rodrigo Menna. Este ano, a campanha vai acontecer a partir de 3 de outubro. Por isso, os números ainda são menores do que os do ano passado: a vacina antirrábica foi aplicada em 14 mil gatos e cachorros até agora.

Vacina gratuita e anual

Donos de pets que quiserem vacinar os bichinhos de estimação, podem comparecer ao Centro de Controle de Zoonoses, que fica no Setor Noroeste, perto do Hospital da Criança, de segunda a sexta, de 9h às 17h. A vacina, gratuita, também está disponível no Núcleo de Vigilância Ambiental (Nuval) em 14 regiões administrativas.

imagem19-09-2020-13-09-03“Não só antirrábica, mas toda vacina é importante. Não vou deixar nenhuma vencer”, diz a dona de Amora e Caju, ambos adotados. Foto: arquivo pessoal

Além disso, todos os animais recolhidos pela Zoonoses e disponibilizados para a adoção são testados para leishmaniose e vacinados contra a raiva.

A servidora pública Bianca Correa Borges Scafuto, 31 anos, moradora da Asa Sul adotou dois cachorros no começo do ano. Na época, eles eram filhotes de 5 meses, Hoje, Amora e Caju são dois jovens cãozinhos de porte médio com um ano de idade.

Os dois saíram vacinados da Zoonoses, mas mesmo assim, já tiveram o cartão de vacinação reforçado. “Assim que eles saíram a Zoonoses reforcei a vacina. Mesmo a raiva estando praticamente erradicada, prefiro não arriscar”, diz. “Não só antirrábica, mas toda vacina é importante. Não vou deixar nenhuma vencer”.

A vacina antirrábica deve, obrigatoriamente, ser aplicada anualmente. O animal vacinado pela primeira vez, seja filhote ou adulto, necessita de um reforço que deve ser dado após 30 dias.

Vírus mortal

A raiva é uma doença infecciosa viral aguda, que acomete mamíferos, inclusive o homem com índice de letalidade de praticamente 100%. Em cães e gatos, a morte ocorre, em média, entre cinco e sete dias após a apresentação dos sintomas.

A doença é transmitida ao homem pela saliva de animais infectados, principalmente por meio de mordidas, podendo ser transmitida também pela arranhadura e/ou lambedura.

Existe um protocolo para tratamento da raiva em humanos que conseguiu salvar sete casos até hoje em todo o mundo nos últimos 15 anos. “Costumo dizer que a campanha de vacinação antirrábica de cães e gatos é voltada para vacinar o animal, mas com o objetivo de prevenção à saúde humana”, diz Rodrigo Menna.

No DF não há casos de raiva em cães e raiva desde 2000, mas ainda há a contaminação de morcegos pelo vírus. “Todo ano a gente encontra um ou dois morcegos que deram positivo para o vírus da raiva”, conta o gerente da Zoonoses.

Quando as equipes encontram um morcego infectado, ele vão de casa em casa para fazer um bloqueio naquela região, evitando que o vírus se espalhe. Há apenas um caso de raiva humana, registrado no DF em 1978 em um garoto que foi mordido por um cachorro.

Saiba mais

A PNS estimou que 41,1% dos domicílios brasilienses tinha pelo menos um cachorro. Quanto à existência de pelo menos um gato no domicílio, o Distrito Federal tinha o menor percentual do país (10,3%).

A pesquisa feita pelo IBGE visou coletar informações sobre o desempenho do sistema nacional de saúde no Brasil inteiro, especialmente no que se refere ao acesso e uso dos serviços disponíveis e à continuidade dos cuidados, bem como sobre as condições de saúde da população, a vigilância de doenças crônicas não transmissíveis e os fatores de risco a elas associados.

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