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Bruno Lima: analista de renda variável da Exame Research (Leandro Fonseca/Exame)

Quem seguiu as carteiras recomendadas da Exame Research desde sua primeira edição, de 6 abril deste ano, conseguiu lucrar 54% até o fim da última semana. O desempenho deixa para trás o Ibovespa, principal índice de ações do país, que subiu 32,8% no período.

Bruno Lima, analista de renda variável da Exame Research, explica que a construção da carteira tem dois pilares principais: preço e momento. “A gente avalia as janelas de curto e longo prazo para ver se faz sentido a inclusão de determinada ação na carteira.”

Apesar de as carteiras serem atualizadas de forma mensal, a casa de análise busca manter a maior parte das companhias, sem mudanças bruscas de um mês para o outro. Formadas por dez ações, a primeira carteira e a mais recente têm em comum quatro papéis. Algumas delas, como as do Magazine Luiza e da Vale, nunca saíram das recomendações.

A tese sobre a inclusão da Vale leva em consideração a retomada econômica da China. Com estímulos baseados em projetos de infraestrutura, a produção industrial do gigante asiático tem crescido de maneira surpreendente, o que tem impulsionado o preço do minério de ferro e favorecido as ações da companhia, que já subiram mais de 50% desde abril.

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Atualmente, 30% da carteira recomendada está dividida em três ações ligadas a commodities e outros 10% à exportação de proteína animal. Segundo Lima, a relevante participação desses setores se deve à busca por diversificação dos riscos geográficos, o que reduz a exposição ao cenário local. “O que está segurando o Ibovespa são as empresas de commodities”, comenta.

A segunda maior alocação da carteira está em varejo, que corresponde a 25% do total. No entanto, essa pode ser uma oportunidade com vencimento. “Muita gente usou o dinheiro do auxílio emergencial para pagar dívida e consumir. Na virada do ano, quando isso acabar, é que teremos a real foto da economia e ver onde o desemprego está batendo”, afirma Bruno.

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Quando essa oportunidade saturar, outra pode voltar à tona: a dos grandes bancos. Mas ainda não chegou a hora, segundo Lima. Presente com duas ações na carteira recomendada de abril, que marcou a estreia do produto, o setor passou a ter apenas um nome na lista de maio e desde junho está de fora da seleção da Exame Research. “O momento continua ruim, mas está chegando a um nível de preço que fica difícil fechar os olhos.”

Para o Ibovespa deixar de vez os 100.000 pontos para trás, diz Lima, é necessário que as ações dos grandes bancos mostrem alguma reação positiva. “Mas, para isso acontecer, o risco fiscal vai ter que ser controlado melhor. Se essa caminhada das reformas ficar mais evidente, o mercado vai ficar mais confortável e o Ibovespa vai poder performar bem; senão só uma vacina muito, muito eficaz”, avalia Lima.

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