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Renata Faber, analista ESG: “Queremos ajudar as pessoas a investir de acordo com seus princípios e as empresas a avançar na agenda de sustentabilidade” (Leandro Fonseca/Exame)

ESG. Essas três letrinhas tomaram de assalto o mercado financeiro nos últimos 12 meses. A sigla, que, traduzida do inglês, significa meio ambiente, social e governança, representa uma nova maneira de analisar empresas e investimentos, tendo como base o impacto socioambiental gerado pela atuação empresarial. 

O problema é que o conceito ainda gera dúvidas no investidor. Afinal, como é possível proteger o meio ambiente, reduzir as desigualdades sociais e, ainda por cima, ganhar dinheiro? O papel das empresas, no final do dia, não é dar retorno ao acionista? É justamente essa concepção de que o lucro vem em primeiro lugar que o ESG busca desconstruir. 

Para facilitar a vida do investidor nesse processo de quebra de paradigmas, a Exame Research, braço de relatórios de mercado da EXAME, lançou o seu primeiro relatório ESG. Com o título de “Quem Você Quer Ter como Sócio”, o trabalho apresenta um perfil do conceito abordando cada aspecto do ESG.

“Queremos ajudar as pessoas a investir de acordo com seus princípios e as empresas a avançar na agenda de sustentabilidade”, afirma Renata Faber, analista ESG da Research. “Escutamos muito falar sobre ESG nos últimos meses e queremos abordar esse assunto de forma didática. O que é relevante em cada setor? O que é importante dentro de cada ´letra´?”

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O relatório apresenta, logo no início, uma reflexão sobre o novo papel das empresas. “Se no passado uma empresa deveria estar focada no seu crescimento e na sua lucratividade, hoje o papel delas na sociedade é muito mais amplo”, afirma o estudo. “Nesse cenário,  vemos o conceito do capitalismo de stakeholder ganhar espaço sobre o capitalismo de Milton Friedman, no qual o único papel social das empresas era aumentar seu lucro.” 

A ideia de que as empresas existem para gerar valor a todas as partes interessadas (stakeholders), e não apenas ao acionista, está no centro do conceito ESG. Segundo o relatório, não é mais possível considerar que existem externalidades “positivas” e “negativas”. Hoje, seja por força de lei, princípio ou pressão da sociedade, as companhias precisam internalizar essas externalidades, assumindo responsabilidades que não eram da iniciativa privada no passado. 

Pode parecer improdutivo aumentar as responsabilidades de uma empresa, ainda mais sobre questões não relacionadas diretamente ao negócio. Mas, na realidade, ao adotar uma visão mais holística do próprio negócio, as companhias se tornam mais fortes e resilientes. “As empresas com alto padrão ESG tendem a negociar com múltiplos mais altos. Vamos identificar essas companhias que estão avançando na escala de sustentabilidade e que podem ter um ‘re-rating’ quando essa evolução se tornar perceptível para o mercado”, afirma Faber.

No fundo ESG é sobre transparência, verdade, identificação de riscos e fazer a coisa certa. “Quando compramos ações de uma empresa, nos tornamos sócios dessa empresa. Quem você gostaria de ter como sócio?”, questiona o relatório. 

O relatório está disponível no site da Exame Research.

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