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Escola em Sobral, no Ceará: valorização da carreira docente foi debatida durante divulgação dos dados do Ideb (Alexandre Battibugli/Exame)

Em evento do governo federal que apresentou os novos dados do Ideb, índice que avalia a educação básica brasileira, as autoridades discutiram a formação e valorização da carreira dos professores no Brasil.

O secretário Luiz Miguel Martins Garcia, que é presidente da Undime, associação que representa os dirigentes de educação dos municípios, afirmou que o Brasil não pode mais seguir “perdendo os melhores alunos” em áreas como matemática para o mercado financeiro. Para Garcia, dirigente da educação na cidade de Sud Mennucci (SP), é preciso atrair esses talentos também para a carreira docente.

“Não dá para continuar perdendo os melhores alunos — melhores é uma expressão ruim, melhores de mais desempenho técnico, por exemplo nos cursos de matemática — para o mercado financeiro. E [esses alunos] nunca chegam até as salas de educação, e sobretudo da educação básica”, disse o secretário.

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“É muito importante que a gente consiga vencer esse desafio de ter a educação como profissão com a menor média salarial dentre os cursos de nível superior”, disse Garcia.

Os professores brasileiros ganham menos do que a média dos outros profissionais com ensino superior no Brasil. A média do salário de um professor é de menos de 80% do que a dos demais profissionais com mesma formação, segundo o Inep, com base em dados do IBGE. Os professores brasileiros também têm salário muito abaixo da média da OCDE, organização que reúne alguns dos principais desenvolvidos.

Garcia afirmou que a formação de professores tem de ser vista como um processo “estratégico” e que é preciso evitar professores com duas ou três jornadas de trabalho.

Mais cedo, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, também citou a valorização da carreira docente e criticou o fato de um professor precisar dar aulas em vários turnos para receber “um salário digno”. Ribeiro é ex-vice-reitor do Mackenzie e foi nomeado em julho para chefiar o Ministério da Educação (MEC) após a saída de Abraham Weintraub.

O ministro afirmou que em outubro terá uma discussão sobre salários de professores, que chamou de “um grande mito”, e disse que quer “dar atenção um pouco mais perto” aos professores e “valorizá-los”. “Um professor bom, embaixo de uma árvore, impacta a vida de uma criança”, disse.

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O ministro não entrou em detalhes sobre o que considera um mito no debate sobre a valorização docente e não explicou se o MEC, sob sua gestão, pretende intensificar uma política de valorização dos salários e da carreira dos professores. Pelo texto da PEC da reforma administrativa enviada ao Congresso, os professores, como servidores municipais ou estaduais nas escolas, também entram em políticas de congelamento de salários e redução de benefícios.

A PEC do pacto federativo, que o governo articula junto ao Congresso, também tem como um dos objetivos retirar o investimento mínimo em educação, hoje obrigatório pela Constituição a União, estados e municípios. Segundo o relator da PEC, o objetivo é dar mais liberdade aos gestores para manusear o orçamento, mas parte dos especialistas em educação avaliam que a medida fará os recursos para a área diminuírem.

Nesta terça-feira, 15, as autoridades estavam presentes em evento para divulgação dos dados do Ideb, organizados a cada dois anos pelo Inep, autarquia vinculada ao MEC.

O Ideb de 2019 mostrou novamente bons resultados no ensino fundamental, sobretudo nas séries iniciais. Houve um avanço sem precedentes no ensino médio, que vinha estagnado nos últimos anos, embora a etapa ainda esteja abaixo da meta. Os números deste ano são referentes às provas realizadas ao final de cada etapa escolar em 2019.

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