Elie Horn (Cyrela), Flávio Rocha (Riachuelo) e Eduardo Mufarej (RenovaBR e GKVentures)

Elie Horn (Cyrela), Flávio Rocha (Riachuelo) e Eduardo Mufarej (RenovaBR e GKVentures) (Montagem Exame/Exame)

“O grande empresário é o que investe no futuro. Deus existindo, e Ele existe, quem dá dinheiro para obras sociais, é recompensado pela eternidade”. A fala de Elie Horn, fundador da Cyrela, uma das maiores incorporadoras do Brasil, abre o Workshop virtual EXAME/Money Report, que debate as características fundamentais para a liderança num mundo cada vez mais complexo após a pandemia do novo coronavírus.

Com uma fortuna estimada em US$ 1 bilhão, Horn é o único brasileiro a aderir ao The Giving Pledge (chamada à doação, na tradução livre do inglês), programa que incentiva doações de bilionários às causas sociais, criado em 2010 pelos bilionários Bill Gates e Warren Buffett. Em dezembro, empresário, que ainda é o principal acionista da Cyrela, anunciou que doaria 60% do seu patrimônio pessoal. “Meus filhos pediram para que eu fizesse isso enquanto estivesse vivo”, diz.

Para ele, a filantropia é uma das formas de ajudar o país a superar seus problemas econômicos e sociais, apesar de não dispensar a necessidade de investimentos em educação e em reformas estruturantes: “As pessoas gostam de preservar seu patrimônio, seu futuro, mas o melhor futuro que a gente pode ter é o da eternidade”, diz.

O Brasil, ao contrário dos Estados Unidos, não tem cultura de doação, segundo ele, porque “se prosperidade não pode haver filantropia”. O executivo defende um pacto nacional de educação entre os poderes Executivo e Legislativo para resolver alguns gargalos nesse setor em vinte anos.

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Nessa esteira, Eduardo Mufahej, fundador do RenovaBR, da GKventures e co-fundador da Alicerce Educação, alerta para a necessidade de mudança na raíz estrutural brasileira, que faz com que cargos políticos sejam vistos como posições de pessoas pouco virtuosas: “Se o país é de todos nós, a política também tem que ser. Isso é essencial para que a política seja grande celeiro de grandes líderes”, diz. 

O RenovaBR, iniciativa de renovação política idealizada pelo empreendedor, formou políticos que se destacam como deputados federais, como Joênia Wapichana, Marcelo Calero, Tabata Amaral e Vinicius Poit.

Para além da renovação política e da cultura de doação, Flávio Rocha, da Riachuelo, ressalta a necessidade de o país passar por um redesenho para reduzir o tamanho do Estado, em alusão à reforma administrativa: “Mais servidores e menos parasitários para deixar agir uma força na qual eu acredito piamente: sabedoria suprema do grande mercado”, diz. 

O empresário compara o cenário do setor têxtil ao de pós-guerra, já que o segmento foi um dos mais prejudicados durante a pandemia, por não produzir itens essenciais aos clientes. Nesse sentido, a cooperação da concorrência é fundamental para a recuperação e adequação a uma nova realidade na indústria da moda.

“Precisamos aproveitar esse salto de eficiencia que o pós-pandemia trouxe em termos digitais para construirmos uma economia mais prospera”, diz. Para ele, se antes os lojistas dependiam da atenção dos clientes em shoppings, agora, precisam estar em seus smartphones, com aplicativos. “Mas as pessoas não vão ter 400 apps de moda em seu celular, é por isso que o setor tem que se unir”, diz.

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