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Cybertruck, da Tesla: modelos maiores serão viáveis em larga escala? (Tesla/Divulgação)

O bilionário e fundador da Tesla, Elon Musk, entrou em mais uma polêmica ao insinuar, pelo Twitter, que Bill Gates não entende de caminhões elétricos. Mas afinal, esse tipo de veículo é realmente viável?

Em agosto, Gates afirmou em seu blog que veículos elétricos de maior porte podem “não ser tão viáveis quanto o setor imagina porque as baterias são grandes e pesadas”. 

“Mesmo com grandes mudanças em relação à tecnologia das baterias, veículos elétricos provavelmente nunca serão uma solução prática para caminhões com semirreboque, navio cargueiros e jatos de passageiros”, disse o fundador da Microsoft. “A eletricidade funciona para cobrir distâncias curtas, mas precisamos de uma solução diferente para veículos pesados.”

Perguntado no último final de semana sobre a publicação, Musk rebateu a afirmação de Gates. “Ele não tem ideia do que está falando”, disse o dono da Tesla.

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A aposta no segmento de caminhões elétricos já é uma realidade. A Daimler, dona da Mercedes e líder global no setor de veículos pesados, criou há alguns anos uma divisão só de produtos elétricos e está com projetos avançados. Um deles, um caminhão com peso bruto total de 26 toneladas, já está sendo testado desde 2016.

A Volkswagen Caminhões e Ônibus está investindo 110 milhões de reais para produzir o primeiro caminhão 100% elétrico em série do mercado brasileiro em sua fábrica de Resende, no Rio de Janeiro, a partir do ano que vem. Embora o modelo faça parte das categorias de entrada, ainda assim tem um porte muito maior do que carros de passeio.

Para Roberto Cortes, presidente da montadora, o modelo elétrico é ideal para entregas urbanas, pois ele pode rodar o dia todo nos grandes centros e seu conjunto de baterias pode “passar a noite” carregando para voltar à ativa no dia seguinte. A montadora já fechou contrato com a Ambev para entrega, até 2023, de 1.600 caminhões elétricos.

A novata Nikola Motor, do Arizona, nos Estados Unidos, está investindo para se tornar o grande nome do mercado de caminhões elétricos. A montadora já fechou contrato com a gigante de bebidas AB Inbev e tem uma carteira de 14.000 unidades a ser entregues. 

Em entrevista recente à EXAME, o fundador da Nikola disse que o futuro da indústria automotiva será feito de parcerias e que grandes montadoras estão se unindo para viabilizar os caminhões elétricos. Prova disso é que a General Motors anunciou na semana passada a compra de 11% da Nikola e parceria para desenvolvimento de baterias para veículos pesados.

Investimentos não faltam e protótipos nas ruas também não. Executivos ouvidos pela EXAME relatam que, sem dúvidas, o peso da bateria é a principal barreira para expansão dos caminhões elétricos, mas que as montadoras estão trabalhando para superar esse grande obstáculo.

Enquanto isso, frotas de veículos pesados de menor porte já rodam em escala minimamente comercial ao redor do mundo — como vans, por exemplo. Soluções híbridas de células de hidrogênio e gás natural liquefeito (GNL) em caminhões pesados têm sido a tônica dos salões de veículos comerciais ao redor do mundo pelo menos nos últimos três anos.

O veículo elétrico já é uma realidade nas categorias de passeio, mas em caminhões pesados e extrapesados ainda há barreiras para sua expansão. Resta às montadoras provar, no futuro próximo, que Bill Gates estava realmente errado em sua afirmação.

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