Maria Ribeiro, em divulgação de Pós F

Maria Ribeiro, em divulgação de Pós-F (Bob Wolfenson/Divulgação)

É possível que uma peça encenada à distância emocione e tenha o mesmo impacto que teria em uma sala de teatro? Sim, desde que sua história seja envolvente e não se contente em apenas filmar o palco.

É o que propõe e atinge a experimental “Pós-F”, montagem do último livro, homônimo, da escritora, atriz, roteirista e apresentadora Fernanda Young, morta em agosto do ano passado por conta de uma crise de asma. Três meses após a morte de Young, o livro, autobiográfico e composto por ilustrações da autora, ganhou o Prêmio Jabuti. Seu tema? No livro a autora propõe, propõe ideias para um mundo pós-feminismo e um mundo pós…Fernanda.

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A morte de Young não apenas a impediu de receber o prêmio literário, mas de continuar a montagem de “Pós-F”. A autora planejava a adaptação e já havia conversado com a diretora Mika Lins e a atriz Maria Ribeiro, que se ofereceu para encená-la. A peça não foi apenas surpreendida pelo falecimento da autora, mas também pela pandemia quando começava a ficar de pé.

Com a reabertura das salas do Teatro Porto Seguro, em São Paulo, de forma restrita, a opção foi pelo formato digital, com transmissão via streaming direto do palco. Mas a peça não apenas filma o palco da perspectiva tradicional dos expectadores. Utiliza uma câmera também sobre o cenário, além de breves takes da atriz em outros locais, como um apartamento, além de imagens da cidade. Há até mesmo uma composição do que acontece em tempo real no palco e uma cena gravada, que dá dinamismo à peça.

Maria Ribeiro é a única atriz em cena e inicia um monólogo, encarnando a autora e falando sobre importantes fatos de sua vida e vivências, como a maternidade (Young teve 4 filhos), seu casamento com o roteirista Alexandre Machado, suas referências (como filmes sobre o papel da mulher e personalidades, como Shere Hite, primeira americana a escrever sobre sexualidade feminina), além de seus próprios pensamentos sobre gênero. Ao mesmo tempo em que expõe suas visões do mundo, a escritora, encenada pela atriz, também as questiona.

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Compõem o palco as ilustrações de Young publicadas no livro, que se movimentam de forma suave durante o espetáculo. No chão, diversos rabiscos. Completa o ambiente a iluminação e uma maca, além da trilha sonora composta por canções como “Vaca profana”, escrita por Caetano Veloso para Gal Costa. Ao final da transmissão ao vivo, há cenas dos ensaios e montagem, que mostra os participantes de máscara, distanciados. Na própria transmissão, há um loop de 180º para mostrar um teatro vazio, com apenas 10 pessoas na platéia.

Com duração de 50 minutos, a peça estreou neste sábado, 12, e será encenada aos sábados e domingos, 20h, até o dia 4 de outubro. Sessões aos sábados e domingos, às 20h. Os ingressos, a partir de R$20, têm 20% do valor destinado a campanhas que estão auxiliando profissionais das artes cênicas afetados pela pandemia. Os ingressos são vendidos pela plataforma Tudus.

Ao final da peça, há um intervalo de 15 minutos para a transmissão de uma live de Maria Ribeiro com um convidado que está relacionado ao espetáculo e à vida de Young. O bate-papo pode ser acompanhado pelo mesmo link do espetáculo ou pela própria rede social. Na estreia da peça, a atriz conversou com o marido de Fernanda, Alexandre Machado.

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