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Samy Dana e Dony de Nuccio, que são contratados da Easynvest: aposta em educação financeira (Easynvest/Divulgação)

Noiva cobiçada do mercado, a Easynvest acabou sendo arrematada pelo Nubank, maior banco digital do país, em uma operação anunciada ao mercado na manhã desta sexta-feira, 11. A confirmação do maior negócio no setor neste ano foi antecipada pela EXAME.

A venda da Easy, como é chamada, por valor não revelado coroa uma ascensão meteórica que reflete o acelerado desenvolvimento do mercado financeiro do país, graças à forte queda da taxa básica de juros e ao avanço da tecnologia. Há cinco anos, a corretora tinha 45 mil clientes. Número que alcança hoje 1,5 milhão.

A notícia da aquisição pegou funcionários da Easy de surpresa, que aguardavam em suas casas uma teleconferência que estava agendada para às 9h40 da manhã, sem assunto informado. Foi um desfecho abrupto para um enredo que, no entanto, já se desenhava desde junho, quando a corretora contratou o banco americano JPMorgan para procurar um sócio que pudesse ajudá-la a alavancar o crescimento.

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Foram conversas com diferentes instituições financeiras em três meses, lideradas por seu principal acionista, a empresa americana de private equity Advent. Mas foi com o Nubank que as negociações deslancharam. Em comum, o discurso de democratização de serviços e produtos financeiros, de eliminar intermediários e um modelo estratégico fundamentado em tecnologia. “Deu match”, brincou o cofundador e CEO do Nubank, David Vélez.

Tamanho interesse de concorrentes potenciais não se deu por acaso: a Easy se tornou nos últimos anos a maior corretora digital independente (ou seja, sem ligação com um dos grandes bancos) do país, com mais de 23 bilhões de reais sob custódia. Em meio à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, conseguiu acelerar o ritmo de expansão, com foco especialmente na renda variável.

Houve um aumento médio mensal de 66% em novos clientes na modalidade de investimento desde fevereiro. Na comparação com o mesmo mês de 2019, a alta foi ainda mais elevada: chegou a 247% em agosto. Como resultado, o market share da Easy na renda variável passou de 5,8% em agosto de 2019 para 12% em agosto deste ano. 

A Easynvest também apostou em celebridades para reforçar a marca, ganhar clientes e levar educação financeira para as massas. Teve parceria de longa data com a influenciadora Nathalia Arcuri. E, no início deste ano, ressuscitou a marca InvestNews, da extinta Gazeta Mercantil, para lançar um novo canal de notícias e conteúdo financeiro.

A grande aposta foi trazer a dupla formada pelo apresentador Dony De Nuccio e o economista e analista Samy Dana para apresentar programas da casa, reeditando uma parceria dos dois tempos de Globo. A aquisição da Easynvest pelo Nubank deve levar a dupla para o banco roxo, que diz que vai reforçar a estratégia de educação financeira para que a sua base de 30 milhões de clientes esteja apta a tomar decisões de investimentos.

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Apesar do forte apelo digital, a corretora tem 52 anos de existência. Nasceu em 1968 como Título Corretora e se destacou no fim dos anos 1990, quando foi uma das pioneiras em oferecer um home broker pela internet. Mais recentemente, em 2012, passou a apostar em plataformas digitais para alavancar o crescimento. E começou a colher os frutos.

Um novo salto foi dado em 2017, quando a Advent comprou cerca de metade do seu capital e levou sua experiência em outras empresas financeiras nas quais já teve ou tinha participação e fôlego financeiro para aumentar os investimentos.

As operações do Nubank e da Easynvest vão continuar a funcionar de maneira separada até que venham as esperadas aprovações do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Mas o clima de integração já começou.

“Bom dia Nubankers”, escreveu Samy Dana em sua conta no Twitter mais cedo.

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