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Centro de compras em Recife: como cortar os benefícios após a pandemia?  (Leo Caldas/Exame)

O brasileiro pode até ser de direita nos costumes, mas é de esquerda na economia. A frase da reportagem de capa desta edição escancara as incoerências de um país que passou por grandes e aceleradas transformações nos últimos meses. Mais de metade das famílias recebeu auxílio emergencial do governo federal, o suficiente para aplacar os efeitos da crise e para impulsionar a popularidade do presidente Jair Bolsonaro. Seis meses de pandemia e 130.000 mortos depois, o presidente eleito com a cartilha liberal tem sua maior aprovação graças a um programa de transferência de renda mais agressivo do que nas gestões petistas. Tempos extremos podem exigir medidas extremas — o problema é se desfazer delas depois. Pesquisa exclusiva conduzida para a EXAME pelo instituto IDEIA, e que nesta edição marca o lançamento de uma nova frente de pesquisas políticas da EXAME Research, mostra que nove em cada dez brasileiros querem a manutenção do auxílio emergencial. A maioria defende ainda maior participação do Estado na economia, e apenas quatro em dez são favoráveis à privatização dos Correios, estatal que está em meio a uma nova greve que dificulta a vida de toda a população. Como equilibrar essa visão de país tida pela maioria com as reformas necessárias para o Brasil engatar um período de crescimento sustentado após o fim da pandemia?

Eis a grande questão imposta ao governo, aos consumidores, aos empresários e aos investidores. O risco fiscal do país, tema obrigatório neste momento, já fez o Ibovespa andar para trás em agosto e deve continuar como tema central nas mesas de negociações nas próximas semanas. É na confluência da informação política com a análise econômica que reside a chave para o crescimento do país — e para a construção de patrimônio de seus cidadãos. A EXAME lança sua plataforma de pesquisas políticas como um serviço essencial à sociedade e a seus assinantes. Antecipar os ventos políticos — do Brasil e do mundo — é essencial sobretudo para uma fatia crescente de brasileiros com investimentos em renda variável. A parceria EXAME/IDEIA também está realizando pesquisas de intenção de voto nos Estados Unidos, onde o novo presidente será escolhido em novembro. Nossos canais digitais trarão os resultados das pesquisas, e nossa equipe de analistas e de jornalistas vai interpretar os dados fresquíssimos para você entender antes. Uma reportagem desta edição mostra como uma fatia crescente de brasileiros está investindo em ativos no exterior por necessidade de diversificar a carteira. O que era privilégio de milionários virou realidade para muitos. As oportunidades cresceram, mas a necessidade de informação e análise nunca foi tão grande.

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