Arroz e feijão

Camil: de um ano para cá, as ações da companhia se valorizaram 92% (Dercílio / Saúde/Divulgação)

O tradicional prato brasileiro de arroz e feijão ficou mais caro – e há uma empresa listada na bolsa de valores que pode ganhar com essa alta. Ainda que a inflação esteja controlada, com alta de 2,44% nos últimos 12 meses, itens básicos como feijão e o arroz ficaram mais caros, com alta de 23,1% e 21,1% respectivamente no acumulado do ano e de 48% e e 25,5% em 12 meses. 

Os motivos para a alta são diversos: o dólar alto, a gasolina, o bom momento das exportações brasileiras e, por fim, até mesmo o auxílio emergencial, usado em grande parte para compras de alimentos. O dólar avançou 32% só em 2020. Com isso, fica mais caro importar todo tipo de insumos, como inseticidas e equipamentos da lavoura. Há uma atenção especial para a alta demanda da China, que vem impulsionando o agronegócio. O país importou quase 40% de tudo o que o agronegócio brasileiro vendeu para o exterior no período.

A empresa do arroz e feijão

A Camil é uma das poucas empresas do setor de grãos com ações negociadas na bolsa. “A Camil é a principal ganhadora dessa alta”, diz Pedro Serra, gerente da corretora Ativa. Ela é dona das marcas Camil, de grãos como arroz e feijão, Coqueiro, de pescados em lata, e União, de Açúcar. Ainda na categoria de grãos, a Camil também atua com as marcas Namorado, Pai João, Pop e Carreteiro. 

De um ano para cá, as ações da companhia se valorizaram 92%. Apenas do começo do ano até agora, a alta foi de 42%. A empresa vendeu 210.000 toneladas de grãos apenas no primeiro trimestre do ano, contado pela empresa de março a maio. 

No período, a Camil teve um aumento na receita de 40%, para 1,7 bilhão de reais. A maior parte da receita vem do Brasil, com 1,2 bilhão de reais e alta de 29%. O maior crescimento, porém, vem de suas operações internacionais no Uruguai, Chile e Peru, com alta de 76%. Já o lucro mais do que dobrou, chegando a 110 milhões de reais, alta de 120%.

Outra empresa aberta do setor de alimentos que pode ganhar de maneira indireta é a M.Dias Branco, líder em biscoitos e massas e dona de marcas como Adria e Piraquê. “Com a alta do arroz e feijão, os consumidores podem migrar para alimentos substitutos, como o macarrão”, diz Serra. 

No segundo trimestre do ano, a empresa viu um volume total de vendas de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, com alta de 37,4%. A companhia teve ainda um recorde de crescimento nas exportações de mais de 5 vezes, com 93,3 milhões de reais em receita. 

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Supermercados e patriotismo

Os supermercados também podem ganhar com essa alta. Na bolsa, investidores estão de olho no Carrefour e Grupo Pão de Açúcar – e na margem que as empresas devem apresentar daqui para frente. A preocupação é se elas irão repassar a alta nos custos para os consumidores.

Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que está conversando com intermediários e com representantes de grandes redes de supermercados para tentar evitar uma alta maior nos produtos da cesta básica e pede “patriotismo”. Para Serra, “é possível que as empresas repassem os custos, mas é um setor de concorrência pura. Se uma empresa aumentar muito os custos o consumidor vai para outra”.

Hoje, o governo deu cinco dias para as empresas envolvidas explicarem os motivos por trás das altas dos alimentos. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, notificou as empresas de produção e distribuição desses alimentos. “O aumento de valores foi notado especialmente em relação ao arroz que, apesar dos positivos volumes produtivos da última safra brasileira, informados pela Conab, teve significativo incremento de preços na prateleira”, diz a notificação.

 

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