Novak Djokovic

Novak Djokovic (Oliver Hadlee Pearch/Lacoste/Divulgação)

* Por Samy Vaisman 

Uma vida para construir, um estalo para destruir. Quem lida diariamente com marcas e empresas, administrando ambições, expectativas e se relacionando com o público, sabe o valor e o peso de credibilidade e respeito. Nada mais valioso do que uma boa imagem, do que uma boa reputação. E isso também se aplica aos atletas, até porque, os esportistas de hoje não são ‘apenas’ competidores, são ídolos, produtos, marcas… são empresas que movimentam fortunas.

E esse 2020 implacável, que atropelou rotinas, fazendo o normal virar anormal e o mundo parar, parece estar sendo ainda pior para Novak Djokovic. O sérvio, número 1 do mundo do tênis, conhecido por títulos e feitos, admirado por sua irreverência, carisma e simplicidade, vem colecionando problemas que deixam uma interrogação sobre os prejuízos que esses arranhões podem provocar em sua carreira e imagem.

Não sou um profundo conhecedor de tênis. Mas lembro, claro, de ícones da modalidade que ficaram marcados pelo temperamento ‘forte’ e atitudes infantis, como John McEnroe, Jimmy Connors e Marat Safin, outros. Só que Djoko vem cometendo duplas faltas em situações sérias, com seu comportamento dentro e fora de quadra, e que podem custar caro.

Em junho o esporte estava parado, mas o sérvio organizou o Adria Tour, uma série de torneios de exibição em meio à pandemia. A intenção era nobre: arrecadar fundos para projetos sociais. Já a execução… Arquibancadas lotadas, protocolos zero, festas em boates… Djoko e a esposa testaram positivo para COVID-19. Não só o casal, mas parte de sua equipe e vários tenistas. Num estalo, Djokovic virou Djokovid.

Arrependido, Nole pediu desculpas. Mas logo voltou a ser polêmico: em conversa com outros atletas, se mostrou reticente sobre a eficácia de vacinas contra o coronavírus. Do comentário veio a piadinha e Novak virou Novaxxx (uma brincadeira em inglês combinando ‘não’ e ‘vacina’). OK, deslizes e falhas acontecem. Mas não parou por aí.

Nas últimas semanas, Djoko deixou a presidência do Conselho de Jogadores da ATP e se virou contra a entidade, criando a Professional Tennis Players Association (PTPA), sendo duramente criticado, inclusive, por Roger Federer e Rafael Nadal. No último fim de semana, uma involuntária bolada que acertou em cheio uma juíza de linha lhe custou a eliminação precoce no US Open e uma pesada multa… Atitude impensada, sem intenção, OK, mas… outro estalo.

Djokovic é um ídolo, uma referência, sempre inspirou milhões de pessoas pelo mundo pelo jeito irreverente, talento e genialidade. Nesse ano atípico, mesmo tendo resultados importantes no início da temporada, seus atos criaram julgamentos, críticas e ‘manchas’ desnecessárias. Tais atitudes arranharam um pouco (ou bastante) a imagem do atleta divertido, simpático e ‘diferente’, que levou anos para ser construída, combinada com resultados que o elevaram à condição de uma ‘Lenda’ do esporte.

É um momento importante, que exige reflexão do atleta e de seu staff. Todos temos motivos para esquecer 2020. Djoko tem ainda mais…

* Samy Vaisman é Sócio-Diretor da MPC Rio Comunicação

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