Estátua de uma menina encarando o touro de Wall Street, em Nova York, dia 07/03/2017

 (Brendan McDermid/Reuters)

A forte queda nas ações nos Estados Unidos nos últimos dias acendeu o sinal amarelo entre investidores sobre uma possível correção nas cotações. Para o estrategista-chefe global de ações do Goldman Sachs, Peter Oppenheimer, no entanto, ainda há motivos para que as bolsas americanas continuem a subir. Mais precisamente, dez motivos, que elencou no relatório “10 reasons why this bull market has further to run” (“10 razões pelas quais ainda há espaço para o bull market”), distribuído a clientes no início desta semana.

Oppenheimer ressalta que esta é uma recessão incomum não apenas por causa da profundidade da queda da atividade e do alcance global mas também porque não foi provocada por fatores econômicos ou de mercado, muitas vezes com causas estruturais.  Nesse sentido, a crise atual traz muitos dos fatores que caracterizam o bear market provocado por eventos específicos (caso da pandemia), com duração mais curta.

O bear market é a expressão que define fases prolongadas de baixa nas ações, em contraste com o bull market, que define períodos de valorização.

“Certamente, os mercados estão vulneráveis a uma correção no curto prazo, particularmente se a forte recuperação econômica que os mercados já precificaram perder força”, afirma o estrategista-chefe global do Goldman Sachs. Ele pondera também que o ciclo atual provavelmente vai oferecer retornos mais baixos do que o anterior (que durou de 2009 a 2020, até a pandemia), dado o fato de que as taxas de juros já estão baixas.

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“Mas nenhuma dessas restrições deve ser suficiente para tirar o bull market sob uma perspectiva estrutural ou para fazer as ações renderem menos do que os títulos”, diz.

Veja abaixo as dez razões:

  • A economia americana está ainda na primeira fase do que ele chama de novo ciclo de investimentos que acontece depois de profundas recessões;
  • A recuperação economia parece mais duradoura à medida que uma vacina para o novo coronavírus se torna mais factível;
  • As projeções para a economia foram revisadas para melhor e é provável que os analistas façam o mesmo com relação às empresas;
  • O indicador de bear market do banco aponta para risco baixo de o mercado entrar nessa fase de baixa, a despeito dos valuations elevados;
  • A política econômica — monetária e fiscal — continua a ser propícia para ativos de risco;
  • O prêmio de risco das ações ainda tem espaço para cair;
  • A volta da política de juros nominais em zero, junto com os guidances dos bancos centrais, abre espaço para juros reais negativos ainda maiores. Ponto para ativos de risco.
  • As ações podem servir como proteção para expectativas mais altas de inflação.
  • As ações parecem baratas comparativamente ao tamanho da dívida das companhias, especialmente para aquelas com balanços fortes;
  • A revolução digital continua a ganhar força, e as companhias do setor de tecnologia devem puxar o valuation e os retornos do mercado para cima.
  • Mas existem riscos

    Apesar das perspectivas favoráveis para que o mercado de ações continue a se valorizar, existem riscos que não devem ser desconsiderados, diz Oppenheimer.

    No curto prazo, o maior risco é que a rápida recuperação da atividade comece a perder tração. “Nesse caso, nós vemos espaço para uma correção de até 10%”, afirma o estrategista-chefe global de ações do Goldman. Outro risco relacionado é que uma desaceleração da economia possivelmente reduziria novamente as expectativas de inflação e os retornos dos títulos. Como as taxas de juros nominais já estão no piso, isso levaria a um aumento dos juros reais, com reflexos sobre os preços das ações.

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