Carlos Brito, CEO da AB InBev, fala durante um evento em Nova York, em outubro de 2013

Carlos Brito, da AB Inbev: empresário deve deixar empresa em 2021 e ajuda na escolha de substituto. (Peter Foley/Bloomberg)

A cervejaria Anheuser-Busch InBev, fabricante de marcas como Budweiser e Stella Artois, está se programando para substituir o presidente-executivo da empresa, Carlos Brito, segundo fontes ouvidas pelo jornal britânico Financial Times. Brito foi responsável pela transformação da empresa, que liderou nos últimos 16 anos, com uma política intensa de aquisições.

Brito é um dos símbolos da cultura AB InBev, companhia dona da Ambev: formado na casa e muito agressivo. Apesar disso, segundo as fontes do FT, a empresa estaria procurando por substitutos de fora da cervejaria, uma mudança dos padrões para uma companhia que se orgulha de formar executivos e profissionais internamente. O movimento de substituição do CEO deve indicar mudanças mais significativas na empresa, que não pode mais se dedicar a apenas à eficiência e busca se conectar aos novos padrões de consumo, acelerados pela pandemia de covid-19.

A AB Inbev estaria trabalhando com firmas de recrutamento para uma possível substituição e o próprio Brito estaria envolto no processo, trabalhando junto ao conselho de administração e planejando anunciar uma saída em 2021. Segundo a Exame apurou, entre executivos internos os sucessores naturais seriam Michel Dourkekis, CEO da Anheuser-Busch Inbev para a América do Norte, ou Ricardo Tadeu, que comanda a divisão de negócios B2B.

“Muitos dos que poderiam ser saíram porque cansaram de esperar, como João Castro Neves, e Luiz Fernando Edmond”, diz uma fonte próxima à companhia. Na máquina de fabricação de executivos da AB InBev, a falta de ação nos últimos anos pode ter sido prejudicial também da porta para dentro.

Em fevereiro a cervejaria já havia substituído também diretor financeiro, Felipe Dutra, que estava na empresa há 30 anos. A mudança, à época, foi inédita para a empresa, que tinha nessa área um centro nevrálgico.

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Em uma entrevista no início de agosto, Jorge Paulo Lemann, fundador da Ambev, revelou interesse em realizar mudanças na companhia, quando perguntado sobre seu novo “sonho grande”. 

“Nossas empresas não performaram tão bem quanto eu gostaria nos últimos 5 anos. Cometemos alguns erros e estamos dedicados a consertar isso e ajustar as nossas empresas atuais para um mundo mais tecnológico, mais moderno, atrair as pessoas que precisamos”, disse. O empresário lembrou que é difícil implementar mudanças significativas em empresas grandes, mas disse que o processo está acontecendo.

 

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