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Flávio Castaldi, Pedro Roso e Rodrigo Lopes, fundadores da startup: empresa emprega 140 funcionários hoje e tem cerca de 100 clientes (Docket/Divulgação)

A pandemia do novo coronavírus acelerou o processo de digitalização de cartórios e órgãos públicos. Para que os processos seguissem, foi necessário um ajuste rápido na burocracia brasileira. Um exemplo é o Projeto de Lei de Conversão 32/2020, que desburocratiza as assinaturas eletrônicas de documentos, aprovado pelo Senado no dia 1º de setembro e que aguarda análise do Poder Executivo. Nesse contexto de digitalização, empresas de inovação se destacam. Uma delas é startup Docket, fundada em 2016, que ajuda a reduzir o tempo que companhias gastam lidando com burocracia.

A startup foi criada pelos empreendedores Pedro Roso, Rodrigo Lopes e Flávio Castaldi para facilitar a obtenção de documentos para grandes empresas. Os sócios, trabalhando em multinacionais, perceberam que o processo de busca por documentos em órgãos públicos era feito de forma pouco tecnológica e levava muito tempo, o que atrasava operações de crédito, fusões e aquisições e investimentos. Juntos, decidiram desenvolver um software capaz de intermediar a obtenção de documentos e fazer a gestão deles. Inicialmente, o produto foi pensado para empresas do setores financeiro, agrícola e da construção civil.

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Como funciona

“O produto é um shopping de documentos. Nos conectamos com prefeituras, tribunais, cartórios, Ministério Público, Ibama e reduzimos em até 80% o tempo de obtenção de documentos”, afirma o presidente, Pedro Roso. O software é oferecido em um modelo de assinatura mensal. O custo depende do volume de documentos que a empresa cliente precisa acessar e guardar por mês. Os planos mensais variam entre 4.000 e 150.000 reais.

Em 2020, a Docket lançou um segundo produto para monitorar o estado de alvarás, licenças e documentos regulatórios. O sistema emite alertas de vencimentos e pendências, gerando relatórios mensais para a empresa cliente. Os clientes só precisam informar quais os CNJPs que precisam ser monitorados. O plano básico, que permite acompanhar até nove empresas, custa 800 reais por mês.

Com os dois produtos, a startup já acumula mais de 100 clientes em 20 setores da economia, a maioria grandes companhias como Direcional Engenharia, Inter Construtora e Banco Cargill. Em 2019, a startup terminou o ano com conexões em mais de 4.000 municípios brasileiros e acessando, em média, 10.000 órgãos públicos por mês. Por ano, a empresa cresce 150%.

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Prioridades e planos

A pandemia trouxe muita incerteza para o negócio. No primeiro mês, a startup decidiu reduzir em 5% o quadro de funcionários para preservar o caixa enquanto entendia como a crise a afetaria, ficando com 140 funcionários. Os primeiros meses de crise acabaram dando resultados melhores do que o esperado. Nenhum cliente deixou de usar os serviços e o negócio conseguiu crescer 10% no segundo trimestre em relação ao primeiro de 2020. Agora, para o segundo semestre, os sócios planejam crescer 100% em relação ao mesmo período de 2019 — crescimento que deve ser impulsionado pelo novo produto.

“Em uma crise como essa, nossas prioridades foram primeiro as pessoas da nossa equipe. Depois, olhamos para dentro para garantir que a estratégia do negócio estava ajustada ao momento. Em terceiro lugar, nos voltamos para fora, para tentar entender como mercado foi transformado e para onde devemos ir”, diz Roso.

O empreendedor está confiante de que a Docket está indo pelo caminho certo. A longo prazo, a startup espera ser uma one stop shop, que consegue oferecer para empresas de qualquer indústria todas as soluções necessárias para busca, gestão e análise de documentos no Brasil.

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