Cerveja Heineken dólar

Heineken: em casa, consumidores preferem cervejas melhores e mais caras do que as que tomam em bares e restaurantes (Heineken/Divulgação)

Um único fator controla o preço de quase todos os insumos para a produção de cerveja do grupo Heineken: o dólar. A moeda americana se valorizou 33% desde o início do ano, de 4 reais para quase 5,40. Assim, a Heineken tomou uma decisão: irá corrigir o impacto do custo e ajustar o preço de suas bebidas no Brasil. 

“Teremos um novo preço a partir da próxima semana”, disse o CEO do grupo cervejeiro, Maurício Giamellaro. Ele participou da série Exame Talks de lives no canal do Youtube da EXAME, em entrevista à repórter Beatriz Correia.

Cerca de 70% dos insumos usados na produção da cerveja são precificados em dólar, como malte e lúpulo, principais ingredientes das cervejas do grupo, e até o vidro das embalagens. Para a produção da cerveja de marca Heineken, o malte usado é importado. Mesmo no caso do malte nacional, usado em marcas como Amstel, há impacto da moeda estrangeira, já que o preço do grão é regulado globalmente.

“Sabemos que o preço é muito importante e não se constrói um produto sem um bom posicionamento de preço”, disse o executivo. Por isso, aumentar o preço dos produtos “não é uma coisa que temos prazer de fazer, mas é uma dinâmica do mercado que precisamos seguir”.

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Dos bares para dentro de casa

Outro grande impacto no negócio da Heineken em 2020 foram as medidas de isolamento social. Com bares e restaurantes fechados e proibição na realização de festas e outros encontros sociais, o grupo Heineken perdeu importantes momentos de consumo de suas cervejas.

O executivo diz que parte dessa queda foi compensada pelo aumento no consumo dentro do lar. “A categoria de cervejas sofreu e está sofrendo, mas os momentos de descontração dos bares foram para dentro de casa”, disse Giamellaro.

A cerveja consumida em casa, porém, não é a mesma do consumo fora do lar. Segundo o executivo, as pessoas estão escolhendo cervejas de valor e qualidade maiores neste momento.

No mundo, a cervejaria registrou queda de 18% da receita no primeiro semestre, para 11,15 bilhões de euros, com prejuízo de 297 milhões de euros no período. Nas Américas, os volumes de venda de cerveja caíram 15% e o lucro operacional, 31%. Mesmo assim, as marcas especiais e mainstream cresceram dois dígitos no Brasil, com destaque para Heineken e Amstel. A empresa também atingiu sua maior participação de mercado da história no país. Para o presidente, um dos motivos para a liderança é o foco em qualidade. “Quem falava de cerveja puro malte há alguns anos? Ninguém”, afirma. 

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