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Kangu: empresa utiliza pontos comerciais de bairro como pequenos centros de distribuição e coleta de mercadorias (Kangu/Divulgação)

O Mercado Livre não para na pandemia. Fora o crescimento na operação, que dobrou de tamanho de um ano para o outro, a gigante latino-americana investiu durante a pandemia em seis empresas de inovação — cinco delas brasileiras. O último aporte, anunciado pela companhia esta semana, foi na startup Kangu, uma de suas parceiras logísticas. O valor da transação não foi divulgado. 

Segundo Renato Pereira, diretor de desenvolvimento corporativo do Mercado Livre, o investimento na Kangu foi motivado pelo seu alto desempenho como parceira logística ao longo dos últimos doze meses. “A Kangu se destacou como um parceiro que consegue se adaptar às mudanças e ao crescimento que o Mercado Livre demanda. Em um ano, passamos de 500.000 pedidos por dia para 1 milhão”, diz o executivo. A estratégia da empresa é a cada vez menos depender dos Correios

Mas quem é a nova investida do Meli? A startup brasileira foi fundada em janeiro de 2019 pelos sócios Marcelo Guarnieri, Ricardo Araujo e Celso Queiroz. Os empreendedores deixaram suas carreiras como executivos da Fedex para embarcar no empreendedorismo. Depois de montarem uma consultoria própria de logística, decidiram que era hora de inovar e criar uma proposta de solução para as entregas de última milha — que fazem os produtos chegarem até a casa do cliente final. 

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A saída é o comércio de bairro

A startup então decidiu atuar em parceria com o pequeno varejo de bairro: papelarias, lojas de roupa e pet shops. Esses pontos comerciais se tornam parceiros da Kangu e atuam como ponto de coleta e retirada de mercadoria. Dessa forma, as lojas se tornam centros de coleta de produtos para consumidores que não tem como receber as encomendas em casa durante o horário comercial. A estratégia também funciona para logística reversa, assim os clientes podem devolver itens pelos pontos da Kangu. Hoje, são 1.450 estabelecimentos cadastrados em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

Há um ano, a startup se tornou parceria do Mercado Livre. Dessa forma, a rede capilarizada da empresa consegue atuar como ponto de envio de mercadoria para os vendedores da companhia argentina e como local de retirada de encomendas para alguns dos seus clientes. “Os pontos da Kangu são uma forma de ficarmos fisicamente mais próximos dos vendedores. Eles deixam os pacotes em pontos da Kangu e a partir daí nossos veículos os coletam e levam para nossa cadeia de distribuição”, diz Renato Pereira.

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Uma das preocupações da startup é não atrapalhar a rotina do comércio de bairro. Por isso, as retiradas são feitas diariamente, para que os lojistas não precisem ter um estoque grande para armazenar os produtos. Além disso, se um determinado ponto de venda começa a ter um fluxo alto, a empresa entende que precisa procurar outras lojas na região para também serem parceiras. “Não queremos que os clientes tenham uma experiência ruim. A entrega e retirada de produtos tem que ser rápida”, diz Ricardo Araújo, copresidente da Kangu.

Aos parceiros, a startup oferece uma comissão por pacote que é deixado e retirado na loja. Além da remuneração direta, os sócios destacam que o serviço acaba atraindo potenciais clientes para dentro do estabelecimento parceiro. “A pessoa pode ir buscar seu novo celular que chegou e encontrar outros produtos de que precisa na loja do parceiro”, afirma Araújo.

Antes do aporte da Meli Fund, a Kangu havia recebido, em março, um investimento de 6 milhões de reais liderado pelo fundo argentino NXTP Ventures. O capital, aliado com o boom do e-commerce durante a pandemia, favoreceu a startup. Nos últimos cinco meses, a operação da empresa cresceu cinco vezes. Para os sócios, o crescimento prova a escalabilidade do modelo criado. Com isso, eles já começam a traçar um plano de expansão internacional para os próximos anos.  

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