(CID 10: B15 – B19.9)

O QUE SÃO HEPATITES VIRAIS?

As hepatites virais são doenças causadas por diferentes vírus hepatotrópicos que apresentam características epidemiológicas, clínicas e laboratoriais distintas. Possuem distribuição universal e são observadas diferenças regionais de acordo com o agente etiológico.

Os mais relevantes agentes etiológicos são os vírus A (HAV), B (HBV), C (HCV), D (HDV) e E (HEV). Esses vírus pertencem, respectivamente, às seguintes famílias: Picornaviridae, Hepadnaviridae, Flaviviridae, Deltaviridae e Hepeviridae.

O homem é o reservatório de maior importância epidemiológica. Na hepatite E, estudos mostram que suínos, roedores e aves também podem ser reservatórios.

COMO OCORRE A TRANSMISSÃO DAS HEPATITES VIRAIS?

As hepatites virais A e E são transmitidas pela via fecal-oral e estão relacionadas às condições de saneamento básico, higiene pessoal, relação sexual desprotegida (contato boca-ânus), e qualidade da água e dos alimentos. As hepatites virais B, C e D são transmitidas pelo sangue (via parenteral, percutânea e vertical), esperma e secreção vaginal (via sexual). A transmissão pode ocorrer pelo compartilhamento de objetos contaminados, como lâminas de barbear e de depilar, escovas de dente, alicates e acessórios de manicure e pedicure, materiais para colocação de piercing e para confecção de tatuagens, materiais para escarificação da pele para rituais, instrumentos para uso de substâncias injetáveis, inaláveis (cocaína) e pipadas (crack).

Pode ocorrer a transmissão também em acidentes com exposição a material biológico, procedimentos cirúrgicos, odontológicos, hemodiálise, transfusão, endoscopia, entre outros, quando as normas de biossegurança não são aplicadas. A transmissão vertical pode ocorrer no momento do parto. O risco é maior para hepatite B, ocorrendo em 70 a 90% dos casos cujas gestantes apresentam replicação viral. Na hepatite C, a transmissão vertical é menos frequente. Para mais informações sobre transmissão vertical, consultar o Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para prevenção da transmissão vertical de HIV, sífilis e hepatites virais.

COMO PREVENIR AS HEPATITES VIRAIS?

  • Para as hepatites A e E, após a identificação dos primeiros casos, estabelecer medidas de cuidado com a água de consumo, a manipulação de alimentos, e as condições de higiene e saneamento básico junto à comunidade e aos familiares.

 

  • Para casos de hepatites B, C e D, nas situações em que se suspeite de infecção coletiva – em serviços de saúde, fornecedores de sangue ou hemoderivados, em que não sejam adotadas as medidas de biossegurança –, investigar caso a caso, buscando a fonte da infecção. Quando observada situação de surto, notificar à vigilância sanitária para a adoção de medidas de controle nos estabelecimentos.

 

  • Orientação de instituições coletivas, como creches, pré-escolas e outras, sobre as medidas adequadas de higiene, desinfecção de objetos, bancadas e chão, utilizando-se hipoclorito de sódio 2,5% ou água sanitária.

 

  • Lavagem e desinfecção, com hipoclorito de sódio, dos alimentos consumidos crus.

 

  • Afastamento do paciente, se necessário, de suas atividades de rotina. Para os casos de hepatites A e E, essa situação deve ser reavaliada e prolongada em surtos em instituições que abriguem crianças sem o controle esfincteriano (uso de fraldas), onde a exposição e o risco de transmissão são maiores.

 

  • Solicitação de exames no pré-natal (hepatite B).

 

  • Solicitação de sorologia de hepatites para os doadores e receptores de órgãos.

 

  • Para prevenção de hepatites B, C e D, de transmissão sanguínea e sexual, osindivíduos devem ser orientados sobre a importância do não compartilhamento de objetos de uso pessoal, como lâminas de barbear e de depilar, escovas de dente, materiais de manicure e pedicure. Além disso, as pessoas que usam drogas injetáveis e/ou inaláveis devem ser orientadas sobre a importância do não compartilhamento de agulhas, seringas, canudos e cachimbos. O uso de preservativos é recomendado em todas as práticas sexuais.

 

  • Monitoramento de pacientes com hemofilia e pacientes que recebem hemoderivados.

 

  • Vacinação – O Ministério da Saúde disponibiliza as vacinas hepatites A e B. – Vacina hepatite A (inativada) purificada é indicada no calendário básico de vacinação da criança. Em crianças, ela tem demonstrado elevada proteção após uma dose. Essa vacina está disponível na rede pública para as crianças com 15 meses de idade em esquema de dose única. Para crianças até 4 anos, 11 meses e 29 dias, que tenham perdido a oportunidade de se vacinar, recomenda-se administrar uma dose da vacina hepatite A.

 

  • Nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, a vacina é indicada em esquema diferenciado para pacientes suscetíveis à hepatite A, a partir de 12 meses de idade, com hepatopatias crônicas de qualquer etiologia, inclusive portadores do HCV, portadores crônicos do HBV, de coagulopatias, pacientes com HIV/ aids, imunodepressão terapêutica ou por doença imunodepressora, doenças de depósito, fibrose cística (mucoviscidose), trissomias, candidatos a transplante de órgão sólido (cadastrados em programas de transplantes), transplantados de órgão sólido ou de células-tronco hematopoiéticas (medula óssea), doadores de órgão sólido ou de células-tronco hematopoiéticas (medula óssea) – cadastrados em programas de transplantes e hemoglobinopatias.

 

  • A vacina hepatite B (recombinante) é recomendada, de forma universal, a partir do nascimento. A aplicação da 1a dose nas primeiras 12-24 horas de vida resulta em alta eficácia na prevenção da infecção transmitida verticalmente. A vacinação de crianças confere imunidade prolongada, persistindo mesmo com a queda de título de anticorpos que ocorre com o passar dos anos. A vacina hepatite B protege também contra infecção pelo HDV. A vacina é administrada em esquema de 3 doses.

 

  • Para os recém-nascidos, deve-se administrar uma dose ao nascer, o mais precocemente possível, nas primeiras 24 horas, preferencialmente nas primeiras 12 horas após o nascimento, ainda na maternidade. Esta dose pode ser administrada até 30 dias após o nascimento. O esquema de vacinação da hepatite B deve ser completado com a vacina pentavalente (vacina adsorvida difteria, tétano, pertussis, hepatite B [recombinante] e Haemophilus influenzae B [conjugada]), aos 2, 4 e 6 meses de vida. Crianças que perderam a oportunidade de receber a vacina hepatite B (recombinante) até 1 mês de idade, não administrar mais essa vacina.

 

  • Crianças até 6 anos 11 meses e 29 dias, sem comprovação ou com esquema vacinal incompleto, iniciar ou complementar esquema com penta, que está disponível na rotina dos serviços de saúde, com intervalo de 60 dias entre as doses, mínimo de 30 dias.

 

  • Pessoas a partir de 7 anos de idade: sem comprovação vacinal, administrar 3 doses da vacina hepatite B com intervalo de 30 dias entre a primeira e a segunda dose e de 6 meses entre a primeira e a terceira dose (0, 1 e 6 meses); Com esquema vacinal incompleto: não reiniciar o esquema, apenas completá-lo conforme situação encontrada.

 

  • Para gestantes em qualquer faixa etária e idade gestacional: administrar 3 doses da vacina hepatite B, considerando o histórico de vacinação anterior e os intervalos preconizados entre as doses. Caso não seja possível completar o esquema durante a gestação, deverá concluir após o parto.

 

  • Imunoglobulina – a imunoglobulina humana anti-hepatite tipo B (IGHAB) é indicada para pessoas não vacinadas, ou com esquema incompleto, após exposição ao vírus da hepatite B.
  • Os trabalhadores da saúde devem obedecer às normas universais de biossegurança e imunização contra a hepatite B.

 

  • Logo após o nascimento, os recém-nascidos (RNs) de mulheres com HBV(HBsAg reagente) devem receber imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHaHB) e a primeira dose do esquema vacinal para HBV. As demais doses serão feitas aos 2, 4 e 6 meses, com a vacina penta. Nesse caso, reforça-se a importância de a vacina hepatite B ser administrada na sala de parto ou nas primeiras 12 horas e, se não for possível, em até 24 horas após o parto, podendo a imunoglobulina ser administrada no máximo até 7 dias de vida, pois essa ação previne a transmissão perinatal da hepatite B em mais de 90% dos RNs.

 

  • Realização de ações de educação: além das medidas de controle específicas para as hepatites virais, ações de educação em saúde devem ser desenvolvidas para os profissionais de saúde e para a comunidade em geral.

ONDE PEGAR OS PRESERVATIVOS?

  • Os preservativos masculino e feminino são distribuídos gratuitamente em qualquer serviço público de saúde. Caso você não saiba onde retirá-los, ligue para o Disque Saúde (136).

  • Saiba que a retirada gratuita de preservativo nas unidades de saúde é um direito seu; por isso, não devem ser impostas quaisquer barreiras ou condições para que você os obtenha. Retire quantos preservativos masculinos ou femininos você julgar que necessite.

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