Alface é cultivada em fazenda familiar de Nova Friburgo, estado do Rio de Janeiro, 13 de junho de 2020.

Alface é cultivada em fazenda familiar de Nova Friburgo, estado do Rio de Janeiro, 13 de junho de 2020. (Leonardo Carrato / Bloomberg/Getty Images)

O agropecuária foi o único setor com resultado positivo no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, quando a economia levou o tombo histórico de 9,7% em relação à primeira parte do ano.

Enquanto indústria e serviços tiveram quedas de 12,3% e 9,7% no período, respectivamente, a agropecuária passou ilesa, com alta de 0,4%, puxada, principalmente, pela produção de soja e café.

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Pela metodologia de cálculo do IBGE, indústria e serviços representam 95% do PIB nacional, contra 5% da agropecuária. O peso da cadeia inteira na economia, porém, é bem maior que isso, e pode chegar a 27% do PIB brasileiro neste ano, num cenário otimista para o setor, contra 21,4% em 2019, estima a pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP, Nicole Rennó.

Num cenário pior, essa porcentagem cai para 23,5%, nos cálculos da especialista. Em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Cepea calcula o PIB do Agronegócio, que completou em maio cinco meses sucessivos de alta e, em junho, deve ter o sexto.

O setor é muito ligado à balança comercial de bens e serviços, que teve registrou alta de 1,8% nas exportações, levadas pela venda de commodities, produtos alimentícios e petróleo, enquanto que as importações recuaram 13,2%.

“Se olharmos a balança comercial, não por acaso, é agro que domina. O setor consegue ter uma vida meio que própria à despeito de uma crise doméstica. E para dentro do país, o segmento fornece sobretudo alimentação, humana e animal, que resiste a crises”, explica Arthur Mota, economista da Exame Research.

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O que ajudou o setor durante esses meses de penúria, além da alta da oferta, foi o cenário de preços, medidos em dólar, e pressionados em função do câmbio, segundo Rennó. Além disso, quando o a crise sanitária começou no Brasil, a situação já estava controlada na China e em países europeus, principais destinos das exportações brasileiras. 

A expectativa é que o agronegócio continue apresentando resultados melhores do que os outros setores e ajude na recuperação, segundo Rennó. Porém, o tamanho dessa ajuda vai depender das partes de indústria e de serviços ligadas ao agronegócio, o que a Cepea chama de agroindústria e agroserviços, que depende mais da demanda interna para crescer. “O grande desafio será o agro indústria, mais dependente da demanda doméstica e que depende de decisões de compras menos essenciais”, diz.

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