Estudantes, professores, diretores, pesquisadores, instituições de educação superior e todos os demais interessados podem opinar sobre o Currículo em Movimento do Novo Ensino Médio da rede pública do Distrito Federal. O documento foi colocado em consulta pública nesta segunda-feira (31), podendo as contribuições serem enviadas até 4/10, exclusivamente por meio dos formulários que estarão disponíveis no site da Secretaria de Educação (SEE).

“O documento que vai para consulta pública teve a importante colaboração de diversos setores da sociedade civil, sobretudo de representantes da Universidade de Brasília, de instituições de ensino superior da rede privada, do Instituto Federal de Brasília, de estudantes, de professores e de gestores”, resume o secretário de Educação, Leandro Cruz. “Queremos, com esta ação, fortalecer os princípios da gestão democrática e o espírito colaborativo que rege a educação no Distrito Federal.”

O ensino médio no DF conta com 81.688 estudantes matriculados em 91 escolas que ofertam essa etapa da educação básica. O objetivo do novo currículo é dar sentido prático a essa modalidade de ensino, até então vista por muitos estudantes como uma fase protocolar para ingressar no ensino superior.

A organização inovadora ajudará os alunos a aplicar em suas vidas os conteúdos assimilados. Pela proposta, cada um pode aprofundar esses conhecimentos de acordo com suas áreas de interesse e, ainda, optar por uma formação profissional.

A primeira consulta pública do novo currículo do ensino médio foi feita entre outubro e novembro de 2019. A versão consolidada será enviada, em novembro deste ano, para validação do Conselho de Educação do Distrito Federal (CEDF). Posteriormente, o modelo poderá ser executado em mais escolas da rede pública de ensino. Após a anuência do CEDF, a previsão é implementar o Novo Ensino Médio no próximo ano em mais 12 unidades escolares, contemplando as demais em 2022.

O que muda

O modelo traz uma série de inovações, principalmente na distribuição da carga horária total do ensino médio. Das 3 mil horas, 1,8 mil serão destinadas à formação geral básica (Base Nacional Comum Curricular/BNCC), e 1,2 mil aos itinerários formativos, escolhidos pelo próprio estudante. Além disso, a organização passa a ser semestral e a carga horária, registrada pelo sistema de créditos.

Para fomentar a interdisciplinaridade, a BNCC divide os objetivos de aprendizagem por áreas do conhecimento: Matemática e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias (Biologia, Química e Física); Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (História, Geografia, Filosofia e Sociologia); Linguagens e suas Tecnologias (Língua Portuguesa, Arte, Educação Física, Língua Inglesa e Língua Espanhola). Especificamente no DF, além do Inglês, a Língua Espanhola também é obrigatória. A intenção é que o estudante faça as correlações entre os conteúdos, e desses com a vida prática.

Os itinerários formativos são compostos pelas quatro áreas de conhecimento e pela Educação Profissional Técnica (EPT). Servem para o aprofundamento da aprendizagem, de acordo com a oferta, os interesses e as necessidades de cada estudante. Dentre os itinerários das áreas do conhecimento, a proposta permite que os estudantes tenham a possibilidade de optar por mais de uma área. Além disto, cada itinerário é ancorado em um dos quatro eixos estruturantes: Investigação científica, Processos criativos, Mediação e intervenção sociocultural e Empreendedorismo.

Escolas-piloto

No Distrito Federal, 12 escolas-piloto, contemplando 5.840 estudantes, estão aplicando a proposta inicial do novo currículo. Dessas, cinco já fizeram a implementação completa: CED 03 do Guará, CEM 804 do Recanto das Emas, CEM 03 de Taguatinga, CED 04 de Sobradinho e CEM I – Gama.

As outras sete escolas, com o total de 3.958 estudantes, estão em fase de adaptação. Fazem parte desse grupo CED 123 de Samambaia, CEM 3 do Gama, CEM 12 de Ceilândia, CEM 304 de Samambaia, CEM 404 de Santa Maria, CED São Francisco e CEM 01 de Sobradinho.

Ao todo, as escolas-piloto oferecem 150 unidades curriculares eletivas orientadas, à escolha do estudante. Entre outras, destacam-se as unidades Educação Financeira; Educação Patrimonial; Eletrotécnica; Energia e Movimento; Iniciação Científica em Ciências da Natureza; Iniciação Científica em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; Iniciação Científica em Informática; Diversidade e Cidadania; A Fotografia na Construção do Olhar; Aprofundamento em Inglês; Estudo da Astronomia; Flora e Fauna do Cerrado e Sexualidade e Reprodução.

As escolas-piloto ofertam ainda a modalidade de Educação Profissional e Técnica. Parte dos cursos é realizada em parceria com o Sistema S (Senai e o Senac): técnico em administração, técnico em informática, assistente administrativo e récnico em manutenção automotiva. No Centro de Educação Profissional Articulado do Guará (Cepag), que pertence à rede pública, também está disponível o curso de computação gráfica.

Fóruns virtuais

O Currículo em Movimento do Novo Ensino Médio será apresentado de forma detalhada na quarta-feira (2/9), no canal da SEE no YouTube. A transmissão é aberta a todos os interessados. Serão dois horários, com o mesmo conteúdo: das 10h às 12h e das 15h às 17h.

Em setembro, haverá também fóruns virtuais de discussão, para cada área do conhecimento, exclusivos para professores, gestores, coordenadores da rede pública e o grupo de leitores críticos das instituições – todos convidados a apreciar a nova proposta e contribuir na consolidação da versão final.

Acesse a página do Novo Ensino Médio e o link para a consulta pública.

* Com informações da SEE

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