Mario Sergio Cortella, filósofo, escritor e educador

Cortella: “Nesta hora, não podemos pensar que um novo normal nos tirará a tarefa de buscar quem foi vitimado e de tirá-lo dessa condição” (Fabiano Accorsi/Exame)

Parte da sociedade assimilou na rotina, nos últimos meses, hábitos, formas de trabalho e de interação social que não devem desaparecer totalmente quando a pandemia acabar. É desse movimento que deve vir o “novo normal“, do qual muito tem se falado.

Em países como o Brasil, porém, à medida que esta crise tornou gritante uma desigualdade social e econômica já tida como grave há anos, uma pergunta deve martelar na cabeça de milhões de pessoas: novo normal para quem?

O educador e filósofo Mário Sérgio Cortella fala em um recente evidenciamento do nível de inclusão que a sociedade vem consentindo ao longo da história, sobretudo na área de educação escolar de nível básico, no que diz respeito a condições de acesso.

Nesse sentido, Cortella alerta para a necessidade de um novo acordo social, sem o qual será difícil lidarmos com a realidade do pós-pandemia. “Um consenso nacional será necessário para que a gente consiga cuidar daquilo que será desastroso: condições de vida, de trabalho, de alimentação”, disse o UM Brasil, projeto da FecomercioSP, em parceria com a Brazilian Student Association (Brasa).

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Faz parte desse novo acordo, segundo Cortella, a conscientização de parte da sociedade que tem mais condições financeiras da necessidade de apoiar pessoas que já tinham uma situação precária antes da pandemia. Um pouco dessa nova consciência pode ser estimulada, segundo ele, ao trocarmos a expressão “excluídos da sociedade” por “incluídos precariamente”, fazendo alusão ao sociólogo José de Souza Martins. Ou até mesmo de “vítimas”:

“Se alguém é vítima da falta de trabalho digno, de alimento adequado, de socorro de saúde, de escolaridade com qualidade social, se existe alguém que é vítima, obviamente há autoria. De quem? Talvez minha, de algum modo, talvez sua. Talvez por ação, por omissão. Ou eventualmente cumplicidade calada. Nesta hora, não podemos pensar que um novo normal nos tirará a tarefa de buscar quem foi vitimado e de tirá-lo dessa condição”, diz.

Veja a entrevista na íntegra:

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