Henrique Bredda, gestor do Alaska, diz que governo não defende desajuste fiscal

Henrique Bredda, gestor do Alaska: “não há ninguém no governo que defenda desajuste fiscal” (Germano Lüders/Exame)

O gestor celebridade do Tiwtter Henrique Bredda, da gestora de recursos Alaska, elegeu um novo e favorito tema: as contas do Brasil. Ele está na contramão do discurso do medo com a questão fiscal. Bredda vem tentando chamar atenção para os investimentos privados. Para ele, há uma visão errada do atual momento pela maioria. E ele está assobiando bastante suas ideias na rede mundial do passarinho, na tentativa de fazer um contraponto às preocupações da maioria.

Cresceu o medo, entre economistas, analistas e investidores, de que o presidente Jair Bolsonaro não consiga resistir à tentação de abrir as torneiras do gasto público, com movimentos assistencialistas, diante dos efeitos positivos que os pacotes tiveram sobre sua popularidade em meio à pandemia — a despeito de toda a polêmica na saúde. O Índice Bovespa terminou a semana em 102,143 mil pontos, pouco acima dos 101,618 mil pontos do fechamento do dia 21. Apesar da ligeira valorização, no meio da semana o indicador foi abaixo dos 99,4 mil pontos. O dólar, por sua vez, teve algum alívio e terminou a sexta-feira em 5,46, depois de ultrapassar a barreira dos 5,65 na semana anterior.

Nessa semana, em uma longa sequência de postagens, conhecida como thread, o gestor deu sua visão sobre o tema: “O crescimento da economia não virá da liderança estatal. Existe uma visão equivocada de que agora os investimentos públicos serão a locomotiva do Brasil. Não só o time da gestão atual [do governo] não acredita nisso, assim como o país também não tem recursos para isso”, inicia ele.

Bredda sempre se mostrou aderente às posições político-econômicas liberais do ministro da Economia, Paulo Guedes. “Existe uma guerra de narrativas em curso nos editoriais e opiniões que tenho lido, mas não há uma crença real nisso nas pessoas que estão tomando as decisões”, afirma ele.

O gestor do Alaska, que tem quase 160 mil seguidores no Twitter, aponta que o investimento no Brasil está vindo e virá do capital privado, não do estatal. “Já tivemos 28 leilões de infraestrutura até agora, com 18 bilhões de reais de investimentos contratados e mais 8 bilhões de reais de outorga”, cita. A partir daí, lista diversos bilhões que estão sendo investidos no país, em especial no segmento de infraestrutura. Destaca a prorrogação de três contratos de concessão ferroviária que, somados, destravam investimentos de 23 bilhões de reais (sem contar os 6 bilhões de reais em outorgas). Além desses, inclui mais 59 contratos de adesão portuária, por 5,8 bilhões de reais, em seus comentários.

Até o estresse do mercado com a pandemia, Bredda era quase uma unânimidade — e o total de investidores da casa superava 20 mil pessoas. Entretanto, depois de mostrar perdas superiores a 50% no Alaska Black, um de seus fundos mais famosos, passou a ser alvo também de críticas. Passado o pior da crise, Bredda mantém uma posição que aposta na valorização da bolsa e na recuperação do real.

“Até o fim do governo, serão mais de 100 ativos leiloados e 250 bilhões de investimentos privados contratados no setor de transportes. Investimentos privados. Onde estão os investimentos públicos ou a irresponsabilidade fiscal nessas ações? Em nenhum lugar, pelo contrário”, e destaca que além de injetar dinheiro privado na economia, as iniciativas geral arrecadação para a União.

Para ele, “é compreensível que, devido à pandemia, fosse reforçado o orçamento da saúde, fosse garantido parte dos salários para manter os empregos e, principalmente, fosse garantido temporariamente um auxílio aos mais vulneráveis, informais e invisíveis. Isso custou por volta de 600 bilhões de reais”.

Mas enfatiza que não vê, no discurso do governo, ninguém que defenda “desajuste fiscal”. Na visão de Bredda, há alguns caminhos possíveis para o governo enfrentar os efeitos ruins e transitórios da pandemia e da economia fraca, sem partir para o desequilíbrio fiscal.

Na opinião do gestor do Alaska, falta a privatização de algum grande ativo, como Eletrobrás ou Correios, para destravar a inércia e as novidades nesse campo também deslancharem. Mas, acredita que sem apoio popular dificilmente será possível vender a gigante do setor elétrico. “Se nem Palocci ou Meirelles, que em suas épocas eram adorados pelo mercado e tinham bom trânsito entre petistas e tucanos conseguiram privatizar os Correios ou a Eletrobrás, imagina o governo atual”, afirma, lembrando antigos ministros da Fazenda. 

“A alavanca para crescer será e está sendo o investimento privado. Isso é o fato! O resto é interpretação equivocada e guerra de narrativas”, encerra Bredda, em uma sequência de 16 publicações. 

 

 

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