imagem28-08-2020-15-08-32| Foto: Divulgação

Por mais estranho que pareça à população, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tem apenas 15 anos de existência no Distrito Federal, completados nesta segunda-feira (24). Hoje em dia, é inimaginável pensar em saúde sem esse serviço. E em pouco mais de uma década de atendimentos, alguns servidores da unidade passaram por histórias, no mínimo, inusitadas, enquanto prestavam o apoio à população.

É o caso do gerente da Central de Regulação de Urgência do Samu, Victor Arimateia. “A gente brinca aqui que já vimos de tudo, até o próximo plantão. Por isso, nossos protocolos não podem ser muito fechados, porque precisamos de autonomia para autuar nos casos mais complexos”, explicou.

Para ele, uma história que ficou marcada na memória foi quando ainda atendia as ligações que chegavam à unidade. Certa vez, em pleno fim de plantão de uma sexta-feira, recebeu a ligação do responsável pela segurança do Aeroporto Internacional de Brasília na época. O motivo: um avião com 107 passageiros estava com sinal de fogo em pleno voo.

“Logo pensei: fui sorteado nos últimos 15 minutos do plantão. Mas são ossos do ofício. Depois de passar o choque inicial, começamos o protocolo de atendimento a múltiplas vítimas. Mandamos as viaturas e eu também tive que ir, porque sempre deslocamos alguém da central de regulação em casos assim. Quando cheguei lá, tinha um monte de viaturas ocupando a pista, incluindo as do Corpo de Bombeiros”, lembrou.

A gente brinca aqui que já vimos de tudo, até o próximo plantãoVictor Arimateia, gerente da Central de Regulação de Urgência do Samu

Felizmente, o sinal de incêndio relatado foi apenas uma pane elétrica, que não representou nenhum perigo. Para o bem dos passageiros, o avião pousou com segurança. “Ainda assim, foi bom porque percebemos o quanto estávamos preparados para dar uma resposta rápida em caso de múltiplas vítimas”, ponderou.

Outra situação inusitada que Victor passou, também em um final de plantão, foi quando recebeu a ligação de um médico boliviano, em uma UTI aérea, relatando que sua mãe estava intubada e ficando sem oxigênio. “Ele disse que não sabia o que fazer na hora. Nem eu”, brincou Victor. Por ele ser estrangeiro e a paciente também, eles não poderiam simplesmente entrar no território nacional para o atendimento.

imagem28-08-2020-15-08-36| Foto: Divulgação

“Foi uma sinuca de bico. Nessas horas lembro das palavras de um ex-diretor do Samu, que falava: dá seus pulos. O protocolo não prevê todo tipo de situação e quem dá a resposta é o regulador. Então, entrei em contato com a polícia, e os chefes da época resolveram toda a parte burocrática. Só sei que a situação se resolveu de maneira bem rápida e ela conseguiu atendimento. Nessas horas, o que vale é a vida do paciente”, comentou.

Já o médico Dante Escórcio conta sobre um momento peculiar que ocorreu durante um atendimento comum na regulação. Apesar de quedas do telhado serem algo corriqueiro, este caso específico teve um diferencial que o profissional nunca tinha visto.

“Muitas pessoas têm o hábito de subir no telhado para consertar alguma coisa e cair. Mas desta vez, a pessoa teve a sorte de atravessar o telhado e cair na própria cama. Não sofreu nenhum arranhão”, conta Dante. “O problema na hora foi que uma das telhas acabou atingindo sua filha, que cuidamos. Apesar de histórias como essa nem sempre terem um final feliz, essa além de feliz foi inusitada”, ressaltou.

Desrespeito, alegria e superação

Infelizmente, o desrespeito do cidadão à vida também faz parte do trabalho dos samuzeiros. Uma história lembrada pelo agora diretor do Samu-DF, Alexandre Garcia, é um exemplo disso. Foi quando precisou atender uma ocorrência relacionada a um afogamento no Lago Paranoá. Essa específica ocorreu em torno das 17 horas, um horário em que costuma acontecer muito esse tipo de chamada, quando pessoas embriagadas se afogam.

“Nesse tipo de ocorrência, o tempo conta muito, porque a vítima precisa de intervenção rápida no acesso à via respiratória. Não podemos perder tempo perguntando muito durante este tipo de chamada. Nos deslocamos de helicóptero e quando sobrevoamos a tal área da ocorrência, não vimos ninguém. Era um trote. Isso me marcou muito porque mostra até onde a irresponsabilidade do cidadão pode ir”, contou Alexandre Garcia.

Porém, alegrias também marcaram o trabalho do diretor durante os atendimentos. Uma em especial foi em relação a visita que uma ex-paciente fez um ano depois de sofrer um acidente de carro gravíssimo na BR-020.

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“Fomos acionados para atender uma ocorrência bastante grave. Fiquei impressionado, porque achávamos na época que ela não iria sobreviver, porque estava muito grave, com múltiplas fraturas. Ela estava dentro de um veículo que sofreu uma colisão frontal. O estado dela era preocupante. Mas além de sobreviver, ela ainda nos visitou para mostrar como estava bem. Foi emocionante”, recordou o diretor.

O estado dela era preocupante. Mas além de sobreviver, ela ainda nos visitou para mostrar como estava bem. Foi emocionanteAlexandre Garcia, diretor do Samu-DF

15 anos

Para Alexandre Garcia, os 15 anos dos Samu no Distrito Federal significam uma constante evolução dos serviços. “Especialmente neste ano, em que fomos colocados a prova por causa do coronavírus”, ressaltou.

Na sua avaliação, a pandemia é um desastre continuado que perpetua essa prova aos servidores de saúde, ao trazer demandas em um nível tremendo. Somente neste ano, já foi  realizado mais de meio milhão de atendimentos até agosto, a maioria relacionada com a Covid-19. “Mas conseguimos dar a melhor resposta mesmo com o alto grau de complexidade”, garantiu o diretor.

Mais de 500 milatendimentos já foram feitos pelo Samu-DF somente esse ano, a maioria ligados à Covid-19

“As pessoas leigas não imaginam como era antes do Samu. Dizem que 15 anos é pouco e perguntam como era antes. Hoje em dia, as pessoas não abrem mão desse serviço, porque sabem que é essencial. Tem servidores dedicados ao atendimento, que colocam a vida do paciente sempre em primeiro lugar”, elogiou o gerente da Central de Regulação de Urgência do Samu, Victor Arimateia.

* Com informações da Secretaria de Saúde

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Histórias inusitadas marcam os 15 anos do Samu no DF

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